É o pior resultado de 2014; dos nove segmentos pesquisados pelo Sincovarp, sete apresentaram variação negativa

A Copa do Mundo de Futebol no Brasil não trouxe o movimento esperado para o comércio de Ribeirão Preto e junho fechou com as vendas no vermelho. A queda foi de -3,76% na comparação com o mesmo período do ano passado. Foi o pior resultado de 2014, segundo a pesquisa Movimento do Comércio, realizada mensalmente pelo Sincovarp – Sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão e região.

Entre as empresas entrevistadas, 68,8% declararam que as vendas do mês passado foram piores que as do mesmo mês no ano passado, enquanto 29,2% disseram o contrário e apenas 2,0% consideraram as vendas equivalentes nos dois períodos.

Setorial – O pior desempenho de vendas em junho foi o do segmento de Ótica (–9,80%), seguido por Vestuário (–6,78%), Móveis (–6,12%), Presentes (–5,64%), Cine/Foto e Livraria/Papelaria (ambos com –5,25%) e Tecidos/Enxoval (–1,90%). As variações positivas foram dos setores de Eletrodomésticos (+5,64%) e Calçados (+1,25%).

Emprego – Em junho o comércio de Ribeirão Preto teve retração de -0,91% no índice de vagas de trabalho. Entre as empresas entrevistadas, 87,8% mantiveram o número de empregados, enquanto 10,2% demitiram e 2,0% contrataram durante o mês. As reduções foram registradas nos setores de Móveis (–3,33%), Vestuário (–2,78%), Eletrodomésticos (–2,29%) e de Livraria/Papelaria (–0,56%). O único setor que criou novas vagas de trabalho foi o de Calçados (+0,78%).

Modalidade de pagamento – Em média, o cartão de crédito foi usado em 49,16% das compras no comércio de Ribeirão Preto, em junho. Em seguida vêm os pagamentos à vista, que representaram 37,68% das transações. Em último aparece a modalidade de pagamento à prazo - cheques pré-datados ou carnês - utilizada em 13,16% das vendas no período.

Entre os segmentos, o que mais comercializa por meio de cartão de crédito é o de Calçados, com 61,25% de seus recebimentos nesta modalidade. A maior ocorrência de vendas à vista foi apresentada pelo setor de Livraria/Papelaria, com 69,17% das transações. Já a maior utilização de vendas à prazo ficou por conta do segmento de Móveis, com 19,00% dos recebimentos.

Segundo Marcelo Bosi Rodrigues, economista do Sincovarp responsável pela pesquisa, o cenário econômico continua complicado, com forte pressão inflacionária e baixo crescimento econômico. “Além disso, o baixo nível de desemprego, um dos pilares da economia nacional, começa a dar sinais de inversão de tendência. A indústria nacional há muito tempo vem apresentando dificuldades e agora parece que chegou a vez do comércio, que vinha mantendo vendas crescentes sustentadas pelo consumo doméstico. O varejo começa a sentir a apatia econômica que atingiu o consumo interno”, analisa.

Ainda de acordo com o economista, o Mundial de Futebol parece ter trazido aumento do consumo apenas para as cidades-sede e para alguns setores como o de Eletrodomésticos, por exemplo. “No entanto, a grande maioria dos segmentos não percebeu essa demanda, pelo contrário, amargou um vácuo no consumo que se traduziu em queda nas vendas. Agora, temos pela frente as eleições que prometem chacoalhar o cenário político nacional e, por consequência, o cenário econômico. A relação entre um e outro é muito forte: quanto mais complicado fica o cenário econômico, maior a tendência de renovação nas urnas e, com uma renovação política, fica maior a tendência de alteração nos rumos da política econômica”, diz.

Para Rodrigues, a expectativa é de que o segundo semestre de 2014 continue “morno” para o comércio varejista. “O cenário para os próximos anos vai depender, cada vez mais, do resultado das urnas e da expectativa dos agentes econômicos acerca da atuação dos governantes eleitos”, conclui.
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