Mudança já impacta setor supermercadista, que acumula crescimento de apenas 1,63% até agosto; empresários tentam driblar desaceleração com promoções e novo mix de produtos

Troca de marcas de primeira linha, redução das idas ao mercado e maior controle das compras. O consumidor usa de todos os recursos para se manter no orçamento. E o que já afeta diretamente o resultado do setor supermercadista deve se manter nos próximos meses até o final do ano.

"Com a renda salarial a crescer apenas 2,5% este ano, o consumidor tem trocado de marca dentro do supermercado. Antes eles compravam as de primeira linha, hoje estão em busca daquelas que lhe trarão menor custo", explicou o economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Emílio Alfieri.

Para o especialista, isso não é motivo de desespero a partir do momento que, por se tratar de um segmento que atua com itens de primeira necessidade - alimentos -, eles têm sido menos impactados pela retração econômica. "Têm setores, como os de bens duráveis, que estão no negativo. Os supermercados têm apresentado crescimento mesmo em um cenário de instabilidade como esse", diz.

Alfieri ressaltou, porém, que o consumidor, ao invés de deixar de comprar, retomou um antigo hábito: as compras de abastecimento. "O brasileiro tem ido ao supermercado no começo do mês, após receber o salário. Com isso, ele consegue, de certa forma, manter o patamar de compra que tinha anteriormente", explicou.

Além disso, o cenário de inflação, que trouxe elevação no preço de algumas categorias no começo do ano assustou o brasileiro, logo, a estocagem de alguns produtos e pacotes promocionais tem ganhado destaque no ponto de venda. "Eles compram mais no começo do mês com medo que o preço aumente no final. Igual acontecia na década de 1980", disse o economista da ACSP.

Mudança de hábito

O novo hábito do consumidor foi identificado por uma pesquisa realizada pela Nielsen. A consultoria apontou que uma das preocupações do consumidor brasileiro nos dias atuais é a manutenção do seu patamar econômico, conseguido há quatro anos. Para isso, ele tem reduzido o consumo fora do lar; diversificado os canais de compra; diminuído a ida às lojas e optando pela compra de marcas mais baratas.

"O perfil do consumidor não mudará, mas o momento econômico obrigará as pessoas avaliarem melhor a compra, no que diz respeito à quantidade e opções de oferta", disse a gerente de projetos para solução shopper da Nielsen, Sabrina Balhes.

De acordo com ela, as idas aos supermercados diminuíram cerca de 2% no segundo trimestre do ano, quando a renda média das famílias cresceu 2,6%, contra 6% da inflação, o que impactou na elevação do endividamento. "As empresas já perceberam que precisam trabalhar melhor a presença nos supermercados, o que tem influenciado para um crescimento dos atacarejos no País", completou.

Para o sócio sênior da Gouvêa de Souza - GS&MD -, Luís Goes, a alta na inflação tem levado as famílias a serem mais seletivas na hora da compra, já que as pessoas não querem deixar de consumir produtos que antes não faziam parte da cesta básica, como laticínios e iogurtes. "Esse cenário fez os consumidores migrarem para marcas inferiores e reduzirem as unidades de alguns itens", disse Luís Goes.

Balanço setorial

As vendas no setor supermercadista cresceram 2,53% em agosto, como apontou o Índice Nacional de Vendas divulgado pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

Segundo o levantamento da entidade, o resultado representa uma alta de 2,63% nas vendas, ante o mesmo período do ano passado. No acumulado do ano a alta foi de 1,63%, ante 2013. Todos os dados divulgados pela entidade já estão deflacionados.

Fonte: DCI
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