O comércio eletrônico de roupas, calçados e acessórios, responsável por cerca de 3% da receita do varejo de moda no país (R$ 3,8 bilhões), é um dos únicos segmentos do comércio eletrônico que ainda crescerá a taxas superiores a 30% ao ano, de acordo com estudo da consultoria McKinsey. "A tendência para o segmento é continuar ganhando espaço, sobretudo com a entrada de varejistas tradicionais de moda", disse Manuela Artigas, sócia da McKinsey.

O varejo on-line como um todo cresceu 26% no primeiro semestre, para R$ 16 bilhões, segundo a e-bit. O varejo on-line de moda e acessórios respondeu por 18% dos pedidos na web e cresce 40% ao ano, enquanto o varejo de moda como um todo registrou queda de 1,3% entre janeiro e julho, segundo o Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE).

A consultora observou que 40% dos 95 milhões de internautas no país já compraram itens de moda pela internet. "As vendas on-line representam 3% do varejo de moda no Brasil, mas nos Estados Unidos, respondem por 10% do mercado. Ainda há um grande potencial de expansão", disse Manuela. Em sua visão, a competição tende a crescer à medida que varejistas tradicionais veem benefícios em ter loja própria na internet e redobram investimentos na área.
A C&A, maior varejista de moda no país em receita, segundo a Euromonitor, prepara-se para lançar seu site de comércio eletrônico. "O plano é lançar o site em breve", afirmou Paulo Correa, vice-presidente comercial da C&A, sem dar mais detalhes sobre o projeto.

A Renner, segunda varejista de moda, tem operação on-line há quatro anos e espera atingir o equilíbrio financeiro da operação no fim deste ano. "O percentual de crescimento na internet é relevante e, pela evolução das vendas, a loja virtual pode se tornar a maior unidade da empresa no curto prazo ou médio prazo", disse Paulo Soares, diretor de operações das Lojas Renner. A Renner tem como meta fazer com que o site gere 5% da receita total até 2020.

A Riachuelo, terceira do setor, ainda não possui loja virtual e preferiu não comentar sobre o tema.

A Lojas Marisa, quarta maior empresa do setor, começou a desenvolver sua loja virtual no fim de 2013. Segundo a companhia, o site responde por cerca de 1% das vendas, mas a expectativa é que esse canal de vendas e as vendas diretas respondam por 10% a 15% da receita da Marisa no longo prazo.

A Cia. Hering, por sua vez, tem a operação mais antiga na internet, com seis anos de experiência. Ronaldo Loos, diretor comercial da Hering, disse que a operação ainda é pequena, tendo movimentado R$ 22 milhões em 2013, com crescimento de 16,8%. "Há um grande potencial de expansão na internet, mas a companhia ainda sofre limitação de recursos tecnológicos", disse. Loos acrescentou que a Hering reforçou investimentos para reformular a operação na internet e a previsão é apresentar as novas versões das lojas virtuais em breve.

Gastão Mattos, conselheiro da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (camara-e.net), ponderou que parte do consumo em lojas físicas migrou para a internet, o que favoreceu até agora empresas que já nasceram on-line, como Dafiti e Netshoes. Apesar da entrada tardia, a ida das varejistas à web ainda pode ser vantajosa. "O segmento tem um potencial muito grande de crescimento. O bolo cresce e há espaço para novas competidoras", afirmou Mattos.

Enquanto as varejistas tradicionais aceleram investimentos na internet, as grandes companhias on-line se capitalizam para fazer frente à concorrência nacional e à chegada de chinesas como o Alibaba.

A Dafiti se uniu em setembro a outras quatro varejistas on-line para formar a Global Fashion Group (GFG), criando uma empresa on-line com US$ 520 milhões em vendas, 4,6 milhões de clientes ativos e atuação em 23 países. Philipp Povel, presidente da Dafiti, disse que o comércio eletrônico exige investimentos altos e grande conhecimento de tecnologia. E, devido à forte concorrência, o setor tende a se consolidar para ganhar escala e reduzir custos.

"É muito difícil conseguir uma boa escala de vendas com uma marca. Por isso, o mais comum é varejistas tradicionais levarem suas marcas para shoppings virtuais, ou montar lojas com infraestrutura nossa, ou de uma concorrente", afirmou Povel. Atualmente, a Dafiti possui 30 lojas de marcas no Brasil. A Dafiti não divulga projeções de resultados financeiros, mas informou que cresce de maneira sustentável. Em meses recentes, a Dafiti trocou de sistema operacional, o que impactou "um porcentual dos clientes". Mas, segundo a empresa, a troca de sistema já foi concluída e a Dafiti agora tenta solucionar problemas (como atrasos na entrega de mercadorias) que os consumidores enfrentaram durante a mudança de tecnologia.

A Netshoes recebeu em maio deste ano um aporte de US$ 170 milhões do fundo soberano de Cingapura (GIC) e estuda uma possível abertura de capital. Procurada pelo Valor, a empresa informou que estava sem porta-voz.

Fonte: Valor
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