Resultados revelam quem são e o que pensam os empresários paulistas

A fim de aprofundar as características relativas a pontos fortes e fracos vivenciados pelos donos de pequenos negócios, o Sebrae-SP desenvolveu neste ano uma pesquisa inédita chamada “O Céu e o Inferno do empreendedorismo”.

O estudo revela, em profundidade, quem são e o que pensam os donos de negócios formais, levantando efetivamente quais as vantagens e desvantagens de ser um empreendedor. Foram ouvidos 1080 empresários, distribuídos em um universo de microempreendedores individuais, proprietários de microempresas e empresas de pequeno porte.

“O dia a dia do dono de um negócio transita por várias sensações, de diferentes dimensões e natureza. É neste jogo constante que as deficiências e os acertos são evidenciados a cada passo dado. Por isso, haja disciplina, comprometimento e sacrifício. É preciso aprender a lidar com pessoas e consigo mesmo, com o próprio emocional e transportar isso para suas atitudes cotidianas”, afirma o diretor superintendente do Sebrae-SP, Bruno Caetano.

Estimulados pela análise quantitativa para considerar o seu “céu pessoal e profissional”, os entrevistados destacaram, pela ordem de relevância, cinco pontos positivos de empreender: (1) fazer o que gosta e trabalhar com o que se quer; (2) alcançar sonhos e objetivos; (3) ter autonomia / se sentir livre para decidir (trabalho, tempo com a família); (4) transmitir valores / gerar emprego e renda; (5) aprender com seus erros.

Em contrapartida, os empresários pontuaram, também em ordem crescente, que seu “inferno pessoal e profissional” passa por desconfortos como: (1) tudo depender de você, não conseguir realizar tudo / não ter mão de obra especializada; (2) ter que pagar impostos / insegurança financeira; (3) ansiedade, estresse / peso da responsabilidade / não dormir tranquilamente / não cuidar da saúde; (4) insegurança no negócio; (5) correr riscos.

“Conseguimos verificar que antes de abrirem o seu negócio, os empreendedores tinham ideias diferentes em relação ao tempo de dedicação ao empreendimento e de quanto seria necessário correr atrás do dinheiro. Com o negócio aberto, muitos desses mitos foram desvendados”, afirma Bruno Caetano.

De acordo com perfil dos entrevistados, a pesquisa dividiu os empreendedores em seis grupos característicos: o fazedor, que é sociável e gosta de ter ajuda por perto; o oportunista, que é desapegado e o mais adaptável; o realizador, totalmente comprometido com o negócio; o sonhador, empreendedor por vocação, que segue o que gosta; o tradicional, faz tudo dentro da rotina; e o acomodado, que não é muito comprometido com o negócio.

“Uma das constatações do estudo é relativa ao comportamento do empreendedor: independente do perfil, são poucos os donos de negócios que mantêm a mesma percepção antes e depois de terem investido no sonho de abrir sua própria empresa”, destaca o coordenador de pesquisa do Sebrae-SP, Marcelo Moreira. Com relações aos mitos que povoam o imaginário popular de ser patrão, Moreira destaca a mudança na visão em temas como ter mais tempo livre, trabalhar menos quando iniciassem um novo negócio ou que sentiriam menos sozinhos na nova atividade.

Das 120 entrevistas pessoais realizadas para definir os perfis de empreendedores, constatou-se, em relação à vida pessoal e profissional, que 62% dos ouvidos afirmam fazer o que gostam e 44% dizem que estão realizando um sonho; 47% destacaram a possibilidade de poder transmitir valores que acreditam para funcionários e fornecedores e outros 49% destacaram a possibilidade de poder aprender sempre com seus erros e acertos.

Quanto aos pontos negativos de se empreender e relativos à vida pessoal e profissional, 55% disseram se sentir pressionados por tudo depender da sua própria decisão e 51% afirmam ter muita ansiedade e estresse; 53% falaram da dificuldade de encontrar mão de obra qualificada e 41% destacaram o peso de ter de pagar impostos do seu negócio.

“É preciso dedicar boa parte do tempo ao negócio e ser empreendedor tem aspectos positivos e negativos, o céu e o inferno do empreendedorismo”, diz Bruno Caetano.
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