A empresária Luiza Helena Trajano, presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), disse, nesta quinta­-feira, que sua preocupação está mais com a situação política do país do que com o atual quadro econômico.

Luiza Trajano, presidente do IDV
"O IDV está junto e quer ajudar, mas o momento político é preocupante. Me preocupa mais a situação política do que a econômica. Temos que remar juntos na mesma direção para passarmos por isso. Mas já estamos acostumados, já passamos por outros momentos difíceis e saímos", disse durante evento em São Paulo.

Questionada sobre riscos da crise política e se isso poderia travar o país, ela afirmou que "o sistema político depende do Congresso e pode travar", mas disse acreditar no bom senso dos políticos. Sobre a decisão do governo de reduzir a desoneração da folha de pagamentos, anunciada na semana passada, ela criticou o aumento da carga tributária do setor num momento crítico para o Varejo, mas disse entender que o setor tem que dar a sua contribuição no processo de ajustes nas contas do país. "É uma balança, tem que ajudar, mas ao mesmo tempo isso nos afeta."

Questionada se o assunto das desonerações foi mencionado pelo governo na última reunião do setor com o Ministério da Fazenda, ela disse que não. "Não tenho que julgar se ele [Joaquim Levy, ministro da Fazenda] faz certo ou não."

Luiza disse que o setor não está demitindo e não fez relação entre aumento de tributação e expectativa de cortes no comércio.

Mudança na desoneração

A queda na desoneração na folha de pagamentos, anunciada pelo governo na semana passada, foi um golpe “duríssimo” para o Varejo e provocou preocupação em relação à sinalização dada pelo governo ao setor, disse Flávio Rocha, vice­presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV).
"Ajuste fiscal tem que ser feito com redução de gastos, com diminuição da maquina pública, que deve otimizar a eficiência, e não por aumento da carga tributária em cima dos formais. Isso só beneficia a informalidade", disse ele, durante evento em São Paulo. "Quem comemora é a informalidade. A performance do PIB e do Varejo deve ser sofrível [em 2015]", disse ele.

No comando do grupo Guararapes e da rede de lojas Riachuelo, Rocha disse, com base numa simulação, que os custos de tributação da empresa em 12 meses subirá R$ 60 milhões com a redução na desoneração da folha de pagamentos.
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