O comércio varejista está discutindo com o governo federal formas de flexibilizar a jornada de trabalho para enfrentar a crise. A conversa ainda está no início e a proposta vale para todo o comércio varejista do país como lojas, restaurantes, postos de combustível.

Quinze entidades do setor estão discutindo com o governo federal essa proposta. A ideia é diminuir as despesas e usar melhor a mão de obra disponível nos momentos em que elas mais precisam, principalmente, a mão de obra de jovens e idosos.

Trabalhar apenas três vezes por semana, ou até menos, e ter todos os direitos trabalhistas garantidos. Mas é claro, receber proporcional ao que trabalhou. Essa é a proposta das empresas varejistas que desde março estão se reunindo com o governo federal.

A ideia é criar uma jornada flexível para quem trabalha no comércio varejista. Por exemplo, muitas vezes a gente entra em uma loja, que está cheia, e a gente não encontra nenhuma vendedora para atender a gente. Outras vezes, a gente entra na loja, a loja está vazia e vendedoras sobrando.

Para entender melhor a situação, a Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo fez um estudo em 2 mil lojas em todo o Brasil e estes são os primeiros resultados. No comércio, de maneira geral, o dia de maior movimento é o sábado às 10 e às 17 horas. E o dia mais fraco é a terça-feira.

“A gente continua com o quadro travado. Um quadro fixo onde a gente não consegue dar o melhor atendimento ao consumidor, já que o quadro não flutua e os custos para o varejista acabam ficando muitas vezes inviáveis”, explica Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo.

Os números no Sindicato dos Comerciários não são nada animadores. Neste ano, a cada mês, cerca de 12 mil comerciários estão sendo demitidos. A perda do emprego aumentou em 15% na área do comércio só na cidade de São Paulo. Diante desse quadro, o Sindicato acha que a jornada flexível pode ser uma boa ideia, desde que respeitadas algumas regras:

Que apenas 15% dos funcionários de uma empresa entrem nessa categoria.
Que os dias e horários sejam fixos.
Que recebam no mínimo um salário.
Que tenham estabilidade no emprego.
Que esse tipo de emprego seja direcionado para jovens e idosos.

“Dessa maneira nós estaríamos, diante da crise, dando respostas para que nós pudéssemos nesse momento superar essa adversidade. Aí teria uma vantagem no comércio dando oportunidade para os trabalhadores ficarem com sua família. Ou seja, teriam condições de ficar dois ou três fins de semana com a família. Hoje é muito difícil. Muitas vezes, o trabalhador fica, praticamente, o mês todo trabalhando”, diz Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores.

Para o representante dos empresários, a proposta é modernizar as relações de trabalho. Ele diz que a CLT funciona bem para a indústria, mas não para o comércio. “O que a gente entende é que a CLT precisa dos seus ajustes a cada um dos segmentos. E o varejo por essa variação de fluxo que existe nas lojas não tem na jornada fixa suas necessidades atendidas”, explica Eduardo Terra.

A Federação de Comércio de São Paulo disse que não faz parte dessa comissão que conversa com o governo federal, mas que apoia a flexibilização total das relações de trabalho no país. Essa conversa com o setor de varejo para instituir essa jornada flexível vem sendo feita pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Fonte: G1
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