Em Novembro/15 o Índice FIPE/Buscapé teve elevação de 2,23%, e acumulando variação de 8,94% em onze meses, tomando como base dezembro de 2014. Este é o 6º mês com aumento de preço no comércio eletrônico em 2015 – refletindo a elevação geral dos preços e a desvalorização do real – mas a série de 58 meses é caracterizada por queda de preços em 43 meses, ou 74% do período, conforme ilustra a figura 1. As variações de preços predominantemente negativas do Índice FIPE/Buscapé expressam o dinamismo e competitividade do setor de e-commerce e a natureza dos produtos que são predominantemente vendidos no mesmo.

Dos dez grupos de produtos que compõem o Índice FIPE/Buscapé, nove apresentaram aumento de preço no mês de Novembro/15, conforme a figura 2: Eletrônicos (3,32%), Eletrodomésticos (2,66%), Esportes e Lazer (2,01%), Telefonia (1,94%), Brinquedos e Games (1,76%), Informática (1,72%), Casa e Decoração (1,08%), Fotografia (0,78%) e Cosméticos e Perfumaria (0,40%). Das 162 categorias pesquisadas, 147, ou 91%, tiveram aumento médio de preço de 2,30%, com destaque para: “freezer” (6,61%), “blue-ray player” (4,92%), “home theater” (4,73%), “cartucho para impressora” (4,72%), “lava louças” (4,51%), “bicicleta” (3,88%) e “tablete” (3,73%). Apenas um dos dez grupos teve queda de preço – Moda e Acessórios (-0,79%) – , devido principalmente à queda no preço de “tênis” (-1,38%). Das 162 categorias de produtos pesquisadas no mês de setembro, apenas 15, ou 9%, tiveram queda média de preço de -1,25%, com destaque para: “chuteira” (-3,26%), “estabilizador” (-2,04%), “scanner” (-1,68%), “tênis” (-1,38%), “pen drive” (-0,95%), “cooler para bebidas” (-0,38%) e “creme anti-rugas” (-0,11%)

Considerando-se as variações anuais (mês t/mês t-12), houve expressiva reversão de tendência nos últimos oito meses – abril/15 (1,37%), maio/15 (1,21%), junho (0,26%), julho (2,03%), agosto (1,98%), setembro (3,54%), outubro (4,17%), e principalmente novembro/15 (6,92%) – dado que a variação média anual estava em um patamar de -3%, conforme ilustra a figura 3. Esta reversão reflete a aceleração da inflação geral, que medida pelo IPCA passou de um padrão de variação anual de 6,5% para 9,9%, e também a recente valorização do dólar, que apresenta forte ascensão ao longo do ano: 1º tri15/14 (21,6%), 2º tri15/14 (37,7%) e 3º tri15/14 (54,8%). É importante ressaltar, neste sentido, que algumas categorias que têm peso significativo no e-commerce são influenciadas de forma defasada pelo aumento do mesmo: Eletrônicos, Informática, Fotografia e Telefonia.

A figura 4 ilustra que os preços no comércio eletrônico têm variação anual 5,2% inferior à variação dos preços médios do IPCA no período Out15/Out14, e que enquanto neste período os preços do e-commerce subiram 4,17%, o IPCA registrou o expressivo aumento de 9,93%. Ao longo de 2012 – antes do impacto da desvalorização cambial sobre os preços dos produtos importados, que têm grande peso no e-commerce – a variação do Índice FIPE/Buscapé era cerca de 13% inferior à variação dos preços médios da economia. Os números traduzem uma significativa competitividade dos preços dos produtos comercializados no e-commerce em relação aos preços médios que compõem o orçamento familiar, explicando parcialmente o expressivo crescimento do setor, que em 2014 foi de 24,3% em termos nominais, e de 26,7% em termos reais, com base na variação de -1,92% do Índice FIPE/Buscapé. Este crescimento é muito relevante considerando-se um contexto no qual o PIB cresceu 0,1%.

No período anual Novembro15/Novembro14, dos 10 grupos pesquisados, 8 apresentaram aumento de preço e 2 apresentaram queda, havendo expressiva diferença entre os grupos de produtos que compõem o índice, que vai de uma queda de -11,69%, em Moda e Acessórios, a um aumento de 13,57% em Casa e Decoração, conforme ilustra a figura 5. Das 162 categorias pesquisadas, 151, ou 93%, tiveram aumento médio de preço 9,17%, e apenas 11, ou 7%, tiveram queda média de preço de -4,38%.

O grupo com a maior queda anual de preço em Nov15/Nov14 foi Moda e Acessórios (-11,69%), muito influenciado por “tênis” (-17,62%), e o segundo grupo com a maior queda de preço foi o de Telefonia (-6,86%) – devido a “celular/smartphone” (-7,63%). O grupo com maior aumento de preço foi Casa e Decoração (13,57%) - no qual destacaram-se “caçarola” (22,14%), “faqueiro” (19,21%), “jogo de panelas” (18,74%) e “panela de pressão” (18,50%). Casa e Decoração foi seguido por Informática (12,63%), influenciado pelos aumentos de preços em “cartucho para impressora” (23,62%), “placa de vídeo” (20,18%), “notebook” (16,02%) e “no break” (15,54%).
Entre todos os produtos que compõem o índice, os que tiveram aumentos destacados no período anual Novembro15/Novembro14, além dos já citados, foram: “climatizador” (22,58%), “lavadora de alta pressão” (17,24%), “aparelho de jantar” (16,41%), “secador de cabelo” (15,51%), “ventilador/circulador” (14,90%), “sofá/estofado” (14,51%), “home theater” (14,40%) e “cama” (14,34%). Os que tiveram maiores quedas foram: “tênis” (-17,62%), “chuteira” (-14,86%), “camisa de time de futebol” (-9,14%), “bola de futebol” (-5,37%) e “piscina” (-3,93%).


Os aumentos anuais de 6,92% do Índice FIPE/Buscapé no período Nov15/Nov14, 4,17% em outubro, 3,54% em setembro, 1,98% em agosto, 2,03% em julho, 0,26% em junho, 1,21% em maio e 1,37% em abril – embora revertendo uma longa série de quedas anuais – contrastam com as variações bem superiores nos índices gerais, como o IPCA-IBGE e o IPC-FIPE, que tiveram aumento anual de preço de 9,93% e 10,10%, respectivamente, no período Out15/Out14. Parcela significativa destas diferenças pode ser explicada pelos seguintes fatores: a) o Índice de Preços FIPE/Buscapé monitora uma cesta de produtos diferente daquela avaliada pelos índices de preços gerais, ou seja, apenas aqueles produtos que são comercializados de forma mais significativa por meio da Internet; b) os pesos dos produtos que compõem o Índice FIPE/Buscapé são bastante diferentes dos pesos dos mesmos produtos nos índices genéricos; c) o canal de distribuição monitorado pelo Índice FIPE/Buscapé é exclusivamente o e-commerce, enquanto os outros índices monitoram vários outros canais tradicionais e físicos.
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