Modismo gourmet ou democratização gastronômica? Dados de mercado mostram que a onda de crescimento do setor já terminou.


Ocupado por marcas consagradas buscando novos canais e principalmente por empreendedores individuais, o mercado de street foods e food trucks foi uma grande tendência. Números analisados a partir de dados divulgados no Google revelam que o interesse do brasileiro pelo assunto caiu 51% de 2015 para cá, de acordo com o Grupo La Torre, consultoria de análise de dados, com sede em Campinas.

Entre julho de 2013 e agosto de 2015, o interesse do público aumentou em 12 vezes, porém o movimento econômico do setor movimentou R$ 20 bilhões desde 2009, o que representou um crescimento efetivo de 103%, até 2014, segundo a Euromonitor, provedora de pesquisas de mercado. É certo que, de carrinho em carrinho, o segmento de comida de rua no Brasil alavancou a economia com dados expressivos. Mas, a divergência entre o interesse do público (que cresce mais de 10 vezes) e o real crescimento econômico (que “apenas” dobrou) já indicava que algo estava fora do lugar nos motores do setor.

Na prática, de acordo com Tiago La Torre, diretor do Grupo La Torre, que analisou os dados, basicamente falou-se muito mais sobre o setor, do que se vendeu. “Isto porque ou as atividades foram feitas na informalidade ou houve muito mais especulação do que comércio efetivo”, afirma. “Esta queda não é efeito de sazonalidade e possivelmente também não foi causada pela crise. É possível notar um movimento clássico de adoção de uma nova ideia, no estilo montanha russa. Uma grande subida rápida inicial e uma grande descida na mesma proporção”, completa Taís Ghedin, consultora do Grupo.

De acordo com os especialistas, o desinteresse do público significa apenas que há uma menor demanda orgânica de novos clientes. Os resultados apontam uma performance bastante peculiar do setor que não cresceu tanto quanto o interesse do público, mas dobrou a rentabilidade no período pesquisado.

O resultado afeta principalmente os empresários de marcas de alimentação já consagradas que viram nos foodtrucks uma oportunidade de divulgação. Para o microempreendedor, a solução é investir em ações de fidelização do cliente e planejar o futuro.

Modismo?

Eduardo Maróstica, professor-doutor IBE-FGV, especialista em empreendedorismo e coordenador de programas MBA, conclui que muitos empreendedores, principalmente jovens, viram neste mercado uma oportunidade de ganhar dinheiro rápido. “Como tudo na vida, existem correntes, tendências e modismos. Mas, muita gente confunde planejamento com ‘fazejamento’. Sem habilidade técnica e conhecimento prévio de mercado, mas com muita intuição e força de vontade resolve abrir um negócio e o resultado é muita iniciativa e pouca ‘ac abativa’. O negócio acaba perdendo a atratividade sem conseguir gerar rentabilidade”.

Para Maróstica não há outro jeito para superar a moda. “Entre o fruto e a raiz há o tempo. É mais difícil trocar o pneu com o carro andando”, diz. Ele aconselha aqueles que desejam sucesso no negócio a fazerem seu plano de negócio, expansão e segurança. “É muito difícil aprender pela dor. As empresas não quebram apenas por fazerem a coisa errada, mas também por fazerem as certas por muito tempo”, conclui.
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