Consumidores pretendem gastar, em média, R$ 137. Pagamento em dinheiro e shopping center lideram preferência. Quase um terço dos entrevistados admite gastar mais do que pode na compra de presentes para o parceiro

Com a renda mais curta e o desemprego aumentando, o consumidor brasileiro está mais cauteloso na hora de gastar. E a diminuição do consumo já se reflete nas tradicionais datas comemorativas, período de maior aquecimento na economia com a troca de presentes. Uma sondagem feita para o Dia dos Namorados pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), em todas as capitais, mostra que neste ano 57,4% dos brasileiros pretendem presentear alguém na data e o valor total desembolsado com os presentes será, em média, de R$ 137,48, quantia inferior à apurada para o mesmo período de 2015, de R$ 150,82. Isso significa que, já descontada a inflação acumulada no período, a redução dos gastos neste ano deverá ser de 16,84%. Entre os consumidores da classe C, o valor médio total gasto com os presentes será ainda menor: R$ 129,77 contra R$ 166,51 das pessoas que pertencem às classes A e B.

De acordo com o levantamento, apenas 15,6% dos entrevistados planejam gastar mais com os presentes em 2016 do que no último ano. A maior parte (30,1%) ainda não sabe quanto irá gastar e 20,3% projetam diminuir seus gastos. Com menos sobras no orçamento e diante de preços mais salgados, os consumidores têm se mantido mais distantes dos centros de compras. Praticamente sete em cada dez pessoas ouvidas pela sondagem (67,5%) têm a percepção de que os presentes estão mais caros do que há um ano. Mais comedida, a maioria dos consumidores que pretendem presentear (82,8%), deve comprar apenas um presente para o parceiro.

Economizar é a principal razão para limite de gastos

Dentre os entrevistados que admitiram a intenção de gastar menos em 2016 (20,3%), a principal justificativa é a necessidade de economizar (19,2%), seguida pelo fato de estarem em uma situação financeira que julgam ruim (16,6%). Outras razões ainda lembradas são a inflação elevada e a instabilidade econômica (15,0%) e o endividamento (14,4%). Até mesmo entre aqueles que têm a expectativa de desembolsar mais neste Dia dos Namorados, a explicação não chega a ser positiva: 36,7% justificam os gastos mais elevados por conta do aumento da inflação.

“Considerando o fraco desempenho das outras datas comemorativas ao longo de 2015 e no início de 2016, a expectativa dos lojistas é baixa. A piora das condições econômicas, como o aumento do desemprego, da inadimplência e o crédito mais restrito, vem exercendo forte impacto sobre o consumidor, que acaba sendo obrigado a limitar e rever seus gastos para salvar as finanças. Quando o brasileiro precisa pagar contas atrasadas ou fazer ginástica para conseguir honrar seus compromissos financeiros, uma importante medida de contenção é evitar novos gastos e, nesses casos, presentear outras pessoas muitas vezes deixa de ser prioridade”, avalia o presidente da CNDL, Honório Pinheiro.

32% admitem gastar além das condições financeiras para presentear

Apesar da cautela dos consumidores na tentativa de escapar do endividamento, cresceu o número de entrevistados que manifestaram a intenção de recorrer ao cartão de crédito neste Dia dos Namorados. O pagamento à vista em dinheiro deve ser a forma de pagamento utilizada por quase metade (47,1%) dos entrevistados, mas o parcelamento no cartão de crédito passou de 15,7% das respostas no ano passado para 20,1% em 2016. Outras formas de pagamentos usuais neste ano deverão ser o cartão de crédito à vista (15,5%) e o cartão de débito (11,6%). “Em um momento em que as pessoas estão inseguras em seus empregos, comprar o presente à vista em dinheiro pode ser uma boa alternativa para fugir do endividamento. Entretanto, chama a atenção o crescimento na quantidade de quem vai parcelar. O ideal é evitar o abuso de parcelamentos para evitar o comprometimento da renda com prestações”, orienta a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

A pesquisa revela ainda que mesmo em um momento de grandes incertezas e pouco propício ao endividamento, quase um terço (32,2%) dos entrevistados admite que costuma gastar além das próprias condições financeiras com presentes para o parceiro ou a parceira. Do total de pessoas que vão presentear no Dia dos Namorados neste ano, 31,4% reconhecem que estão com o nome sujo.

Outro dado que serve de alerta é que as compras do Dia dos Namorados do ano passado deixaram um em cada dez (10,5%) entrevistados com o nome inscrito em cadastros de inadimplentes.

Roupas e shopping lideram preferência

As roupas serão o principal item escolhido para presentear no Dia dos Namorados deste ano, com 34,3% de preferência dos entrevistados. Apesar da liderança, houve queda no percentual: ano passado as roupas tinham a preferência de 46,5% dos consumidores ouvidos. Em segundo lugar aparecem os perfumes e cosméticos (24,9% contra 22,2% em 2015), seguidos pelos calçados (12,5% contra 22,2% ano passado), jantares (11,3% frente a 8,1% em 2015) e chocolates (8,8% contra 7,2% em 2015). Acessórios como cintos, bijuterias, óculos e relógios, por exemplo, que estavam em quarto lugar no ranking dos presentes mais procurados do ano passado (10,3%), caíram para o nono lugar da lista deste ano, com apenas 6,4% de menções.

Já os produtos mais desejados para 2016, ou seja, aqueles que os entrevistados gostariam de ganhar na data, são: roupas (24,5%), perfumes e cosméticos (18,5%), calçados (17,2%) e celulares (13,6%). Segundo a sondagem, oito em cada dez entrevistados (81,4%) esperam ganhar algum presente.

O shopping center (37,7%) se destaca como o principal local de compra para este Dia dos Namorados. Logo em seguida estão as lojas virtuais (16,5%), shoppings populares (16,4%), lojas de departamento (15,4%) e lojas de rua (11,3%). “A preferência pelos shoppings deve-se à facilidade de estacionamento e à segurança que estes locais oferecem. Além disso, esses estabelecimentos concentram uma grande variedade de lojas em um único lugar. Já a significativa presença das vendas online deve-se muito à praticidade da rede, que acaba atraindo o interesse das pessoas, além de favorecer a pesquisa de preços em diversas lojas”, explica a economista.

A comemoração da data será feita principalmente em casa (49,3%), mas 18,5% pretendem sair para restaurantes. Quanto à data para realizar as compras, a maioria (56,4%) disse que iria realizá-las nesta primeira semana de junho, enquanto 17,8% somente no final de semana véspera do Dia dos Namorados. “Essa corrida às lojas de última hora é um hábito bastante típico do brasileiro que pode prejudicar as finanças pessoais. Comprar os presentes em cima da hora limita as opções e pode fazer com que o consumidor gaste mais do que deveria”, alerta Pinheiro.

Metodologia

A pesquisa do SPC Brasil e da CNDL serve de termômetro para o mercado varejista e revela como o consumidor brasileiro deve se comportar na semana que antecede o Dia dos Namorados. Para isso, foram ouvidos 601 consumidores de todas as capitais, gerando um erro máximo de 4,0% e confiança de 95%. A alocação amostral para cada capital foi proporcional ao tamanho da População Economicamente Ativa (PEA), de acordo com os parâmetros do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Clique em “baixar arquivos” no link a seguir para acessar a íntegra da pesquisa https://www.spcbrasil.org.br/imprensa/pesquisas
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