O comércio da capital paulista fechou julho com queda média de 9,7% no movimento de vendas, sobre o mesmo período do ano passado. Já nos sete primeiros meses de 2016, o setor acumula recuo médio de 10,9%. Os dados são do Balanço de Vendas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).



O resultado de julho foi impactado pelas temperaturas mais altas, desestimulando as vendas de produtos como roupas, calçados e cobertores. Houve também influência do dia útil a menos em relação a julho de 2015.

“Apesar de as retrações ainda serem profundas, a situação do varejo parou de piorar. Mesmo assim, não há uma tendência firme de redução das quedas e de recuperação”, comenta Alencar Burti, presidente da ACSP.

Ele complementa que a expectativa é de que os números dos próximos meses melhorem porque a base de comparação será mais fraca, uma vez que no segundo semestre de 2015 as retrações começaram a se aprofundar.

Outro fator que pode reforçar o otimismo é a confiança quanto ao futuro. “O humor dos consumidores e empresários está no campo da expectativa por aumento da confiança, no próximo semestre. A confiança parece estar voltando em câmera lenta”, diz Burti, que também preside a Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

Ele pondera que não há percepção de melhora das condições no presente momento, diante de um cenário de desemprego alto e condição financeira deteriorada. “A recuperação será gradual e não linear”.

A prazo X à vista

Em julho, as vendas a prazo caíram 5,4% e as comercializações à vista recuaram 14%, em relação ao mesmo mês de 2015.

A queda menor das transações a crédito pode ser reflexo da volta dos crediários nas lojas. Com bancos mais seletivos na concessão de crédito e com a queda dos salários, os crediários se mostram como uma saída tanto para consumidores quanto para lojistas – que, em muitos casos, oferecem parcelamento em até 18 vezes sem entrada.

Já as vendas à vista recuaram mais, impactadas pela ausência de frio em julho: o consumidor que comprou em junho, não comprará de novo.

Além disso, ele não tem renda para comprar à vista, já que os salários em queda e a inflação de alimentos drenam dinheiro - ele só tem recursos para o básico.

O desempenho melhor de junho deste ano (queda média de 1% sobre junho/2015) foi circunstancial e pode ser explicado pelo frio, pelo Dia dos Namorados e pelo dia útil a mais.

Comparação mensal

O Balanço de Vendas ACSP aponta que, em relação a junho, a queda média foi de 4,2%, sendo que os recuos foram de 5,9% nas transações a prazo e de 2,5% nos negócios à vista.

A retração pode ser considerada sazonal, já que em junho o Dia dos Namorados aqueceu um pouco o comércio e em julho o movimento nas lojas caiu por conta das férias escolares – muitos pais e filhos viajam na época.

O Balanço de Vendas da ACSP é elaborado pelo Instituto de Economia da ACSP com base em amostra fornecida pela Boa Vista Serviços.

Histórico/quedas médias (a prazo+à vista)
Janeiro: -18,4%
Fevereiro: -8,65%
Março: -14,5%
Abril: -8,4%
Maio: -13,9%
Junho: -1%
Julho: -9,7%
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