Aproveitando uma nova ida a Montevidéu, capital do Uruguai, aproveitei para escrever esse artigo, falando das principais diferenças entre o varejo uruguaio e o varejo brasileiro.


Pensando em Montevidéu, é fato que o destino como viagem de turismo não tem nas compras seu principal diferencial. Não há uma presença maciça de outlets e os preços encontrados de produtos tem valor equivalente ou até mesmo um pouco mais acima do que os encontrados no Brasil. As compras no Uruguai são mais fortes na cidade de Rivera, fronteira com o Brasil, onde há uma boa quantidade de lojas “Duty Free”, aproveitando o potencial de consumo com a fronteira, ou ainda na cidade de Punta del Este, com shoppings e marcas internacionais focadas na venda principalmente durante o período de verão, quando a cidade fica repleta de turistas.

É fato que o uruguaio tem um ritmo de vida diferente do brasileiro, principalmente se comparado com os brasileiros residentes nos grandes centros. A vida aqui, mesmo em Montevidéu, anda em passos mais tranquilos. Mesmo no centro da capital, não espere um comércio que abra antes das 10h00, mas tenha certeza que praticamente tudo fecha por volta das 17h00. Restaurantes costumam a abrir somente após às 20h00. Em cidades mais afastadas, ainda se faz muito o uso da siesta, um repouso quase que “mandatório” para todos, inclusive os negócios, após o almoço. Os shoppings ainda sim respeitam o horário nos quais estamos mais habituados.

Esse ritmo de vida, focado mais em “viver bem”, aliado à um maior desapego dos bens materiais desenha um cenário muito diferente que poderíamos imaginar para um país tão incrível e cheio de oportunidades.

Sobre Montevidéu, há poucos shoppings pela cidade, se não me engano, não mais do que quatro ou cinco que possam ser considerados dessa maneira, onde dois disputam a preferência do consumidor: o Montevideo Shopping, o primeiro da cidade, e o Punta Carretas Shopping, que tem uma arquitetura singular, uma vez que foi construído utilizando partes de um antigo presídio da cidade, preservando detalhes de sua arquitetura.

Punta Carretas Shopping
Se há poucos shoppings, é interessante observar que as principais avenidas comerciais da cidade ainda possuem um bom número de galerias comerciais, embora em quase sua totalidade apresentem poucas lojas em operação, descuidadas e com caras de “perdidas no tempo”, lembrando as galerias comerciais da São Paulo e outras capitais brasileiras antes da era dos shopping centers.

Em termos de marcas é o varejo de moda e calçadista que traz um ar de modernidade e revitalização nos conceitos e no retail design. Marcas como Daniel Cassin, To To, Lemon, Stadium entre outras, fazem a diferença entre outras marcas, mesmo internacionais que disputam o mesmo espaço.


Há uma boa variedade de marcas internacionais estabelecidas, embora haja muito espaço para crescimento. Gap pisou no Uruguai antes de pisar no Brasil. Forever 21 recentemente chegou ao país, e marcas como Aldo (calçados) e Cat (outdoor), que ainda não chegaram (oficialmente) ao Brasil, já estão lá.

De outra maneira, marcas como Boticário e Hering já fincaram bandeiras no país.

Há boas cadeias de supermercados como os do grupo Êxito (Devoto, Disco e Geant, ou do grupo Ta-ta (Ta-ta e lojas “Tá!”), porém sem grandes novidades. A tendência, assim como acontece nos grandes centros, é uma maior proliferação de lojas de conveniência. Um mercado de enormes oportunidades, pois em 2015, um estudo da Euromonitor apontava que Montevidéu contava com apenas 22 lojas de conveniência em toda a cidade. Em 2014 eram apenas 9 lojas!


Fora dos shoppings, há marcas interessantes pelos corredores comerciais, como a 18 de Julho ou dentro da Cidade Velha, como “La compañia de lo oriente”, “Mosca”, “Volverás a mi” (uma chocolateria muito bacana), a belíssima livraria “Más Puro Verso”, entre outras.

HEMP SHOPS?

Uma outra curiosidade está sobre a legalização da maconha no país. Em um documentário, vi que a região de Rivera (na fronteira) estava repleta de “hemp shops”, lojas focadas em produtos para o cultivo, uso da planta e até mesmo produtos criados a partir da mesma, como bolsas e calçados. Como era uma região de fronteira, não é preciso dizer que a maioria da clientela é brasileira.

Imaginei que isso seria visto como uma oportunidade comercial e que iria encontrar muitas lojas desse tipo, mas em minhas andanças pela cidade, encontrei apenas uma loja, em um dos corredores comerciais. Deu para perceber que a maioria das vendas desse tipo de produto estava ainda acontecendo nas calçadas, por meio de ambulantes, de forma informal.



Em minha humilde opinião, mesmo com a legalização, onde a compra é restrita à uruguaios somente e que sejam vinculados à “clubes de consumo”, com quantidades e números de sócios controlada, das poucas vezes que pude perceber alguém consumindo a droga, percebi que eram em sua maioria menores de idade, o que eu acredito que esteja contra a lei, e que ao meu ver, represente um “tiro no pé” da legalização. Não deu para entender qual é a opinião dos uruguaios sobre o tema, mas de minha última estadia, há cerca de dois anos, para cá, há um clima de maior insegurança nas ruas, nada se comparado às cidades brasileiras, mas que tiram um pouco o antigo charme da cidade. Não é possível também determinar se a liberação da droga e o aumento da violência tem alguma relação.

Resumindo, Montevidéu é uma cidade única, com enorme potencial de crescimento. Segundo fontes, mais de 90% da cidade já tem fibra óptica, e o país como um todo está em um grande projeto de ter 100% de sua energia utilizada como renovável, ou seja, o solo está preparado, com uma ótima infraestrutura para crescimento. Pelo seu tamanho e dimensão de seu mercado, há pouca inércia para inovação, o que vejo como uma boa oportunidade para algumas marcas criarem novos mercados. Só é preciso vontade e coragem.

Um grande abraço!

Caio Camargo
Editor
Falando de Varejo
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