Por Lyana Bittencourt*


Em um mundo ainda dominado por lideranças masculinas, precisamos ressaltar a força e a resiliência de algumas mulheres empreendedoras que ganharam seu espaço mesmo numa sociedade que ainda pode ser considerada machista.

Não é novidade que mulheres em cargos de liderança nas empresas costumam ganhar menos, mesmo que na mesma função, do que homens.

Paradoxalmente, empresas com pelo menos 30% de mulheres em cargos executivos seniores tendem a ser pelo menos 15% mais rentáveis (segundo pesquisa do Peterson Institute for International Economics, instituto que investiga o impacto da diversidade de gênero nas empresas).

Pensando nisso, gostaria de apresentar para vocês, mulheres que levantaram negócios praticamente do zero e que conquistaram espaço, desenvolvendo não apenas seus negócios, mas também contribuindo para o desenvolvimento de outros empreendedores e empoderando mulheres dos mais diversos segmentos.

Zica Assis
Quem ouve falar de Zica Assis, com toda a sua elegância e mais de 32 salões de beleza especializados em cabelos crespos e ondulados, não pode imaginar que uma empresária de tanto sucesso tenha tido uma origem tão humilde. Heloisa Helena de Assis, que prefere ser chamada de Zica, começou a trabalhar cedo para ajudar a família a cuidar dos irmãos. Juntou essa necessidade com um desejo forte de cuidar de seus cabelos, que eram volumosos e dificultavam sua atividade profissional. Zica fez cursos para entender como domar os fios e levou 10 anos para desenvolver uma fórmula, até então caseira, que fosse exatamente aquilo que precisava - ajudasse a domar o volume, mas mantendo a beleza dos cachos. Com a grande descoberta, ela patenteou o produto e abriu seu primeiro salão que, com a novidade foi cada vez mais ganhando adeptos e hoje se tornou uma potência do segmento. O sucesso foi tão grande que criou o projeto caravanas, que leva mulheres de várias partes do país para cuidarem dos fios em suas unidades. O salão não presta apenas um serviço de beleza, mas devolve o senso de autoestima e poder para mulheres que muitas vezes são marginalizadas por sua aparência.

Dra. Carla Sarni
Dra. Carla é a fundadora de uma das maiores redes de franquias de clínicas odontológicas do Brasil. E também nesse caso, o sucesso não caiu do céu. Foi em razão de muito trabalho e um proposito claro que Carla começou uma clínica para atendimento das classes C e D. Durante seu período de faculdade, Carla fez trabalho voluntário na faculdade para conquistar os créditos para se formar. Foi aí que ela viu a oportunidade na sua frente. Criar um modelo de negócios que possibilitasse um atendimento digno e de qualidade a pessoas de baixa renda. Com essa missão de vida, nasceu a Sorridentes, que é um modelo de sucesso pois possibilita à dentistas ter um negócio estruturado com marca forte. Hoje a rede possui mais de 160 unidades de franquia e a Dra. Carla continua à frente com um espírito forte de liderança e de inspiração para toda a rede.

Claudia Bittencourt
Também nesse caso, a história é de superação. Claudia era executiva de uma grande empresa de fertilizantes, e após a falência dessa empresa, se viu recém viúva, com duas filhas pequenas e com uma única alternativa: superar todas as dificuldades e empreender. Claudia decidiu montar sua própria empresa de consultoria, que iniciou suas atividades em 1982 no estado de Goiás com foco em reestruturação de empresas e hoje, já com as atividades concentradas em São Paulo o Grupo BITTENCOURT é responsável pelo desenvolvimento de mais de 2 mil projetos de estruturação e formatação de empresas para atuarem no sistema de franquias. Um propósito claro foi também o que fez com que Claudia construísse uma das mais conceituadas empresas do mercado de franquias, ajudar empresários a construírem negócios prósperos que gerem empregos e melhor qualidade de vida para a comunidade onde estão inseridas.

O que faz com que essas mulheres sejam exemplos, para mim é muito claro. Superação de dificuldades, propósito claro de vida e a certeza de que são capazes. É claro que nesse processo surgiram dúvidas e anseios, e tiveram muitas quedas, mas a capacidade de se levantar e seguir em frente foram maiores. Meu convite é para que as mulheres se inspirem nessas histórias, e saibam que o que muda o curso de uma vida é a atitude que se toma em relação às adversidades. Entre sentar e chorar ou erguer a cabeça e seguir em frente, elas escolheram a última opção.

Lyana Bittencourt é diretora do Grupo Bittencourt
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