Número de novas vagas nos setores de varejo e serviços será quase o mesmo do ano passado; somente 23% dos empresários confiam que as vendas vão superar 2015

O último trimestre do ano traz sempre grandes expectativas para o comércio e o setor de serviços, que costumam ampliar estoques e fazer investimentos para atender a demanda aquecida do Natal. Neste ano, porém, a crise econômica deverá novamente inibir o volume das tradicionais contratações de mão de obra temporária e também de trabalhadores efetivos. De acordo com um levantamento feito nas 27 capitais e no interior do país pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), oito em cada dez (84,6%) empresários não contrataram e nem pretendem contratar trabalhadores para este fim de ano, incluindo os temporários. Apenas 15,4% dos empresários consultados manifestaram a intenção de reforçar o quadro de funcionários. Levando em consideração o setor do varejo e serviços, somente 27,2 mil vagas extras deverão ser criadas, o que demonstra um cenário de estabilidade frente às 24,4 mil observadas no ano passado, período em que o país já atravessa as dificuldades da crise.

Para quem não vai contratar - seja temporário ou efetivo -, a principal razão é não ver necessidade na ampliação do quadro de funcionários, acreditando que a equipe atual dará conta do volume de clientes aguardados para o período (46,6%). Outras justificativas são a expectativa de baixa demanda no fim do ano (13,2%) e a falta de dinheiro para pagar mão de obra extra (12,2%). Mesmo sem reforçar o tamanho da equipe, 45,9% desses empresários também disseram que não irão alterar a jornada de trabalho de seus funcionários por não haver um aumento significativo no número de clientes. Os que vão aumentar o número de horas trabalhadas por dia da atual equipe são apenas 10,8% da amostra.

Levando em consideração os empresários que pretendem contratar mão de obra temporária, a principal razão é suprir a demanda que aumenta com a proximidade das festas de fim de ano (63,2%), seguida da alta rotatividade dos funcionários que leva à necessidade de ocupar os cargos disponíveis (14,7%). Entre temporários e efetivos, a média geral será de dois contratados por empresa, número igual ao verificado no ano passado. A pesquisa revela que mesmo entre quem têm interesse em contratar, há um clima de incerteza. Entre 2015 e 2016, aumentou de 0,9% para 28,2% o percentual de empresários que não quiseram responder ou estão indecisos sobre quantidade de funcionários que planejam contratar - o que sugere, segundo os especialistas do SPC Brasil e da CNDL, que parte do empresariado está cautelosa, à espera das reações do mercado antes de tomar uma decisão concreta.

Para os especialistas do SPC Brasil, as contratações de final de ano sempre foram uma boa oportunidade para o jovem que está procurando o primeiro emprego e para quem está desempregado e quer se reposicionar no mercado de trabalho. “Uma dica importante é encarar o trabalho, muitas vezes temporário, como uma porta de entrada para permanecer na empresa. Demonstrar comprometimento, dedicação e desenvoltura são fatores essenciais para atrair a atenção do chefe e da clientela. Muitas vezes os lojistas acabam continuando com esses colaboradores por mais um tempo após o Natal por causa da alta demanda no período de troca de presentes e de liquidações no início de ano”, afirma Honório Pinheiro.

26% pretendem efetivar temporários; quatro em dez contratações serão informais

Outro dado que revela como o empresariado está com baixas perspectivas, é o percentual dos que pretendem efetivar os temporários após o término do contrato. No passado eram 39,4% da amostra. Em 2016, são 26,4%. Após o período de três meses, a maior parte (47,9%) dos empresários irá dispensar essa mão de obra adicional, ao passo que 25,7% estão indecisos ou não responderam sobre o que irão fazer.

Dentre aqueles que pretendem contratar, a maior parte será de modo informal. Segundo o estudo, 37,9% dos empresários não vão assinar a carteira de trabalho dos novos colaboradores, principalmente no setor de serviços (46,0%). Outros 30,6% garantem que as contratações serão formalizadas pela empresa, enquanto 23,1% vão optar pelos terceirizados. Para o presidente da CNDL, Honório Pinheiro, esse dado reforça a necessidade de ampliar o debate sobre as leis trabalhistas. “É preciso modernizar a legislação trabalhista, de maneia a oferecer mais oportunidades formais de trabalho nas quais todos, sejam eles empresários ou trabalhadores, possam sair ganhando. A rigidez das leis trabalhistas é um entrave que contribui não apenas para aumentar a informalidade, como também agrava a crise econômica, sobretudo em um momento em que o país sofre com altos índices de desemprego”, afirma Honório.

Para 31% dos empresários vendas serão piores neste fim de ano

A baixa intenção nas contratações de temporários tem relação direta com a incerteza de que a economia irá se recuperar e os brasileiros voltarem a consumir. Três em cada dez (31,4%) empresários ouvidos na pesquisa acreditam que as vendas neste fim de ano serão piores do que em 2015, sobretudo no setor de serviços (35,4%). Os otimistas representam apenas 22,9% da amostra, enquanto 35,6% acreditam que as vendas repetirão o desempenho do ano passado, período também marcado pelas dificuldades da crise.

Já entre a parcela minoritária de empresários que espera melhora nos negócios, a principal justificativa tem a ver com a mudança no cenário político e econômico dos últimos meses, que passou de 5,3% em 2015 para 17,4% em 2016.Na avaliação dos empresários pessimistas, os principais motivos para um pior desempenho das vendas são o aumento do desemprego (23,7%) e as mudanças no cenário político e econômico do país (17,1%). Completam o ranking de problemas o orçamento mais apertado das famílias (13,8%), os juros elevados (11,6%) e a diminuição do poder de compra em virtude da inflação elevada (10,3%). Nos três meses anteriores à pesquisa, apenas 8,8% dos empresários consultados tiveram um faturamento acima do esperado. Para 50,4% ele ficou dentro das expectativas e para 36,5% abaixo do que era aguardado.

Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, o clima de desconfiança de parte do empresariado é justificável dado que o país ainda esboça sinais incipientes de recuperação. “Um dos piores efeitos da crise é a retração do consumo, em virtude do desemprego e da queda do poder de compra. Com o consumidor temeroso de gastar, o empresariado não tem perspectiva de vender mais e não vê necessidade em contratar mais pessoas e fazer investimentos”, afirma a economista.

11,8% demitiram alguém nos três meses anteriores à pesquisa

De acordo com a pesquisa, 11,8% dos empresários ouvidos demitiram algum funcionário nos três meses anteriores à pesquisa. Os motivos mais alegados para as demissões foram a necessidade de redução da folha de pagamento (44,8%), a mão de obra ociosa devido a diminuição nas atividades da empresa (24,9%) e o fato de estarem insatisfeitos com o desempenho profissional da pessoa demitida (22,2%).

Apenas dois em cada dez farão investimentos para fim do ano

Reflexo da baixa expectativa para as vendas, a intenção de realizar investimentos para o final do ano também é afetada. Em 2016, somente dois em cada dez (22,2%) empresários dos setores de comércio e serviços pretendem investir no seu negócio para o período do Natal, o que representa uma queda de 4,4 pontos percentuais ao observado em 2015 - embora haja perspectivas um pouco melhores no comércio varejista (27,9%) e nas capitais (26,9%).

As estratégias de investimento mais adotadas para fazer frente às demandas do Natal e do Réveillon serão a ampliação do estoque (44,7%), o aumento na variedade de produtos e serviços (36,8%) e na comunicação e divulgação da empresa (27,7%). A principal justifica para quem não irá investir é não ver necessidade diante da baixa perspectiva de que a demanda aumentará (49,8%).

Baixe a íntegra da pesquisa em https://www.spcbrasil.org.br/pesquisas

Metodologia

Foram ouvidos 1.168 empresários de serviços e comércio varejista localizados nas capitais e interior do país. A margem de erro é de 3,0 p.p. com um intervalo de confiança de 95%
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