Segundo Pesquisa da FecomercioSP, as famílias de Vitória/ES também registraram a maior dívida média mensal (R$ 3.222), mais que o dobro da média das capitais (R$1.569)

As capitais da região Sudeste apresentaram uma intensa redução na proporção de famílias endividadas entre 2013 e junho de 2016, com destaque para Belo Horizonte/MG cujo porcentual passou de 48% em 2013 para 38% em junho de 2016, posicionando a capital mineira entre as cinco capitais com menor taxa de famílias endividadas. Em Vitória/ES, 67% das famílias têm algum tipo de dívida, acima da média nacional (58%), enquanto em São Paulo/SP essa proporção é de 49% e no Rio de Janeiro/RJ atingiu 58% em junho de 2016.

Nos últimos quatro anos de apuração, a capital do Espírito Santo ocupou o topo do ranking de famílias endividadas no Sudeste em três oportunidades, sendo 2015, o único ano que foi superada pelo Rio de Janeiro/RJ (67%). Apesar da liderança, Vitória/ES vinha de uma trajetória de quedas na proporção de famílias endividadas até o ano passado, registrando 75% em 2013, 73% em 2014 e 65% em 2015, mas voltou a crescer em junho deste ano com 67%.

Os dados compõem a pesquisa Radiografia do Crédito e do Endividamento das Famílias Brasileiras, realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). A análise contempla dados de 2013 ao primeiro semestre de 2016 com base em informações do Banco Central do Brasil, do IBGE e da CNC.

A capital capixaba tem a maior média mensal de dívida por família, de R$ 3.222, mais do que o dobro das capitais brasileiras (R$ 1.569), e o mesmo valor real apurado em dezembro de 2013. Todas as demais capitais da região Sudeste também apresentaram valores acima da média brasileira em junho de 2016: Belo Horizonte/MG (R$ 2.068) - quarta maior no ranking nacional -, São Paulo/SP (R$ 1.799) e Rio de Janeiro/RJ (R$ 1.622).

Em relação às famílias com dívidas em atraso, mais uma vez a capital mineira se destaca, pois além de apresentar a segunda menor proporção de famílias inadimplentes no ranking nacional, foi a única capital do Sudeste que apresentou retração nessa taxa entre 2014, ano em que os sinais da crise ficaram mais evidentes, e 2016 passando de 19% para 16%. Nesse mesmo período comparativo, essa proporção subiu de 21% para 29% no Rio de Janeiro e de 21% para 26% em Vitória. Apesar do aumento de 11% para 18% observado em São Paulo, a capital paulista permaneceu abaixo da média nacional de famílias com contas em atraso (23%) em junho de 2016.

Todas as capitais do Sudeste apresentaram um nível de comprometimento da renda com dívidas em torno de 30%, patamar considerado adequado para a Federação para não sinalizar um risco de elevação de inadimplência. Ainda nesse quesito destaca-se o aumento de 8 pontos porcentuais na parcela da renda comprometida com dívidas das famílias de Vitória/ES que passou de 22% em dezembro de 2015 para 30% em junho de 2016. Completam a lista: Belo Horizonte/MG (31%), Rio de Janeiro/RJ (31%) e São Paulo/SP (29%).

Em relação às operações de credito no País, a região Sudeste abriga 42,2% das famílias brasileiras e concentra 46,6% do volume de crédito nacional. Na capital de São Paulo, que naturalmente detém o maior volume de dívidas, em decorrência de ter a maior população do País, o montante em junho de 2016 - do total da dívida das famílias - alcançou R$ 3,4 bilhões mensais em média, apenas 0,3% maior, em termos reais, que o volume de dívidas registrado em dezembro de 2013.

O número de famílias endividadas caiu 7,5% e passou de cerca de 2,04 milhões para 1,89 milhões, respectivamente, entre essas datas. Já a dívida média mensal dos paulistanos atingiu R$ 1.799 em junho passado, com aumento real de 8,4% ante dezembro de 2013. O crescimento real de 4,3% no rendimento médio em São Paulo sustentou essa elevação, fazendo com que a relação dívida/renda permanecesse praticamente estabilizada nos últimos anos, situando-se em 29% em junho passado.

Região Sudeste (Junho de 2016)

1 - Número de famílias endividadas (porcentual)
Vitória/ES - 79.974 (67%)
Rio de Janeiro/RJ - 1.294.260 (58%)
São Paulo/SP - 1.890.447 (49%)
Belo Horizonte/MG - 312.714 (38%)

2 - Parcela da renda mensal comprometida com dívidas
Rio de Janeiro/RJ - 31%
Belo Horizonte/MG - 31%
Vitória/ES - 30%
São Paulo/SP - 29%

3 - Valor médio de dívida por família
Vitória/ES - R$ 3.222
Belo Horizonte/MG - R$ 2.068
São Paulo/SP - R$ 1.799
Rio de Janeiro/RJ - R$ 1.622

4 - Porcentual de famílias com dívidas em atraso
Rio de Janeiro/RJ - 29%
Vitória/ES - 26%
São Paulo/SP - 18%
Belo Horizonte/MG - 16%

5 - Número de famílias
São Paulo/SP - 3.861.255
Rio de Janeiro/RJ - 2.239.189
Belo Horizonte/MG - 813.730
Vitória/ES - 119.957

6 - Renda Média (R$)
Vitória/ES - 10.901
Belo Horizonte/MG - 6.713
São Paulo/SP - 6.134
Rio de Janeiro/RJ - 5.151

7 - Massa de rendimentos (R$)
São Paulo/SP - 23.686.393.595
Rio de Janeiro/RJ - 11.534.030.805
Belo Horizonte/MG - 5.462.790.760
Vitória/ES - 1.307.702.002

8 - Participação da massa de rendimentos no total Brasil (%)
São Paulo/SP - 13,7%
Rio de Janeiro/RJ - 6,6%
Belo Horizonte/MG - 3,1%
Vitória/ES - 0,7%

Sobre a FecomercioSP

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) é a principal entidade sindical paulista dos setores de comércio e serviços. Congrega 157 sindicatos patronais e administra, no Estado, o Serviço Social do Comércio (Sesc) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). A Entidade representa um segmento da economia que mobiliza mais de 1,8 milhão de atividades empresariais de todos os portes. Esse universo responde por cerca de 30% do PIB paulista - e quase 10% do PIB brasileiro - gerando em torno de 10 milhões de empregos.
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