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quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Mercado de nicho: uma luz no fim do túnel

por Fred Rocha*

Nicho de mercado pode ser definido como um segmento com características especiais em termos de necessidades a serem atendidas. Para o pequeno empreendedor, isso significa a oportunidade de atender com excelência a uma necessidade específica de determinado público, consolidando-se como o seu fornecedor número um. Ou seja, na prática nicho é quando você se especializa e eu considero uma luz no fim do túnel para o pequeno varejo ter fôlego para conquistar o mundo. Falo isso porque significa que algumas empresas mundo a fora já compreenderam que é preciso focar em um produto ou serviço, de preferencia único e exclusivo se for possível, para conquistar um público específico que sabe exatamente o que quer e aonde vai encontrar o que busca.

Na minha última viagem eu visitei várias empresas de nicho que só confirmou minha tese de que é possível conquistar muito espaço e notoriedade quando se tem um foco muito bem definido de negócio. Em Seattle, por exemplo, conheci uma loja especializada na venda de guarda-chuvas, outra que só vende mapas. Na Califórnia conheci uma loja bem criativa idealizada para canhotos e aí depois logo em seguida fiquei sabendo da inauguração de uma loja no mesmo estilo no Sul do Brasil.
Em geral, um nicho de mercado tem as seguintes características tais como:

• Ser uma fração de um segmento de mercado: ou seja, cada nicho de mercado apresenta algumas peculiaridades que os distinguem do segmento como um todo.

• Representa necessidades ou desejos específicos e similares: normalmente, eles consistem de necessidades ou desejos muito específicos, e que também têm o seu grau de complexidade. Portanto, este grupo está disposto a pagar um “extra” para comprar o produto ou serviço que atenda às suas expectativas.

• Requer operações especializadas: o nicho de mercado exige fornecedores especializados capazes de atender às suas expectativas.

• Tem tamanho suficiente para gerar lucros: de acordo com o Prof. Phillip Kotler, um nicho de mercado grande é aquele que é grande o suficiente para ser rentável.

Há 10 anos, o jornalista e candidato a guru americano Chris Anderson sacudiu o mundo dos negócios com uma ideia simples e aparentemente poderosa. Em seu livro “A Cauda Longa”, ele previu que a internet mudaria a lógica do consumo, porque acabaria com a tradicional limitação de espaço em lojas que vendiam roupas, discos, perfumes, eletrônicos. Qualquer pessoa que frequentou uma escola de negócios desde então testemunhou o impacto do conceito na academia. Não existe mais produto de nicho, existe produto “cauda longa”. Para as empresas, a implicação é clara. Anderson previu que grandes companhias teriam uma chance histórica de investir em nichos e customização. Mas a última década mostra que, nos ramos de tecnologia e entretenimento, os grandes casos de sucesso continuaram sendo de empresas que apostaram alto em poucos lançamentos. Claro, o debate lançado por Chris Anderson não tem data para terminar. Ele percebeu brilhantemente como a internet transformaria a vida de milhões de pequenos empresários que não têm acesso a grandes varejistas ou a orçamentos milionários de marketing e os efeitos dessa maior oferta na vida das pessoas.
Quem imaginaria, uma década atrás, que uma pequena fabricante finlandesa de games (a Rovio) ganharia 150 milhões de euros com um joguinho banal como o Angry Birds? Ou que um grupo de amigos usaria a internet para criar um fenômeno nacional como o grupo de comédia Porta dos Fundos? De fato, a “democratização” descrita por Anderson tem um impacto notável na cultura dos dias de hoje.

Fred Rocha* - Consultor Especialista em Varejo e Palestrante

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