Por Matthew Gharegozlou*

Estamos em 2017 e os desenvolvedores de aplicações enfrentam um ano ainda mais exigente e de oportunidades voláteis. As tendências e ferramentas tecnológicas avançam a uma velocidade vertiginosa, desafiando os desenvolvedores a se manterem atualizados em uma infinidade de elementos em rápida evolução e mudança.

A evolução de tecnologias como JavaScript e Rails 5, e as novas megatendências como a Internet das Coisas, a Inteligência Artificial, a Realidade Virtual, o Back-End-as-a-Service e, agora, as aplicações cognitivas, tudo isto revela a quantidade de coisas com que os desenvolvedores precisam se preocupar. E a mudança é a única constante no meio dessa babel de dados em alta velocidade.

Embora, com razão, seja notável a importância das habilidades técnicas na batalha para se permanecer no topo da competição, o que verdadeiramente diferencia hoje os desenvolvedores pode ser resumido nesse triunvirato: domínio da tecnologia, visão acurada para os negócios e habilidades sociais. Juntos esses elementos determinam o progresso de uma carreira na área.

Tecnologia e massa crítica

No meio dessa animada discussão que corre o mundo, sobre a atual escassez de massa crítica em TI, é natural que cada avanço tecnológico na área de codificação acabe sendo supervalorizado. Mas ainda assim cabe a pergunta: por que as habilidades técnicas, por si sós, não representam grande ganho para o mercado?

A verdade é que, considerando o perfil da maior parte dos desenvolvedores, essas habilidades tendem a ficar de fora da questão mais importante que interessa de fato ao cliente e, consequentemente, ao sucesso do negócio. Cabe então analisar o porquê de o cliente final dar pouco valor ao desenvolvimento em si e o que ele realmente deseja.

Compreender o que está por trás das necessidades de código dos clientes, de que maneira os clientes vão usar de fato o aplicativo e o que este produto do desenvolvimento irá entregar ao negócio. É isto o que capacita o desenvolvedor a avaliar criticamente a sua real contribuição.

A tecnologia existe para servir os clientes. Um desenvolvedor pode criar aplicativos incríveis, mas se não os inserir em um contexto consistente com o negócio sua importância será pequena ou nenhuma. Em outras palavras qualquer desenvolvedor de aplicativos qualificado pode desenvolver códigos, mas um ótimo desenvolvedor é aquele que também entende o significado do cliente e vislumbra oportunidades de negócio que a tecnologia pode desvendar e trazer para o front de conversão.

O negócio da tecnologia - amanhã

Esta capacidade de antever a oportunidade para a aplicação se tornará cada vez mais importante na nova era das aplicações cognitivas - aplicações que aprendem características de negócios e comportamento de dados e os aproveitam para ampliar vantagem competitiva um passo à frente da concorrência.

As aplicações cognitivas se conectam a todos os dados, sejam de sistemas de registro ou da Internet das Coisas, e suportam todos os tipos de interações de usuários de hoje - web e móveis, chatbots, voz, realidade virtual e as interfaces táteis do futuro.

Elas produzem receitas gerando recomendações de ação instantânea, forma pró-ativa, em tempo real, sintetizando informações de todos os dados que entram através de todos os canais e a partir de todas as fontes. Assim, entender o raciocínio do cliente e do negócio, antes de se aventurar em um projeto de desenvolvimento desse tipo é fundamental para aproveitar os benefícios que se situam no centro do sucesso dos negócios.

O caso de Negócios para habilidades sociais

De um lado a maior parte dos desenvolvedores independentes ou corporativos gastam uma grande parte de suas carreiras buscando exibir suas habilidades técnicas, avançar através da hierarquia e conquistar o direito de liderar equipes ou de conduzir projetos. De outro lado estão as empresas que esperam do desenvolvedor tudo isto e muito mais. Elas querem ter a demonstração de habilidades sociais e perspicácia para antever situações favoráveis ao uso da tecnologia.

No que diz respeito à comunicação com o cliente (externo ou interno), nada disto significa que os desenvolvedores precisam se expressar como oradores ou escritores premiados, mas sem dúvida é necessário que eles se exprimam bem. Quer se trate de explicar claramente as informações aos gestores e colegas de trabalho, convencer as pessoas com sua apresentação ou escrever uma documentação coerente, a eficácia do estilo e conteúdo da comunicação de um desenvolvedor importa muito.

Da mesma forma, as habilidades de colaboração são cada vez mais vitais. Os melhores desenvolvedores são aqueles que se relacionam intensamente não só com outros membros da equipe, mas também com outras partes interessadas dentro da empresa. Desta forma, eles conseguem promover uma melhor compreensão dos objetivos gerais do projeto e das responsabilidades de cada contribuinte, a fim de viabilizar o melhor resultado possível do projeto para os clientes e o negócio.

A falta de transparência em relação ao que cada colaborador ou equipe está trabalhando, torna difícil implementar qualquer tipo de projeto bem sucedido. Os empregadores (e clientes) querem desenvolvedores que possam trabalhar de forma eficaz e ágil, o que significa, às vezes, ser um líder e, às vezes, um bom seguidor, que monitora o progresso, cumpre prazos e trabalha com outros em toda os departamentos para alcançar um objetivo em comum.

Para o desenvolvedor de aplicações que têm sua visão fixa na progressão de carreira, agora é o momento de uma avaliação honesta de suas capacidades mais amplas. Na contratação, as empresas hoje enxergam aptidões técnicas simplesmente como um pré-requisito. Perspicácia de negócios e habilidades sociais são justamente os elementos que asseguram a diferenciação e influenciam positivamente as ofertas de emprego e promoções. Se o avanço da carreira (na empresa ou no próprio negócio) é o seu objetivo, então, ser um mero codificador já não faz mais diferença.

Matthew Gharegozlou é Vice-Presidente da Progress para a América Latina e Caribe
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