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    Via varejo usa até realidade virtual na loja do futuro

    Há muito o que ver na loja futurista do Pontofrio inaugurada ontem, em São Paulo, pela Via Varejo, que também controla a rede Casas Bahia. É o caso de um sistema de realidade virtual, uma vitrine digital e câmeras capazes de detectar o humor do cliente. Mas é o que não se vê que revela com mais clareza a estratégia da companhia: abolir as barreiras entre o comércio eletrônico e o varejo tradicional.

    “O desafio é conectar o mundo on-line a uma loja física”, diz Marcelo Nogueira, diretor de modelo de vendas da Via Varejo. “Para o consumidor, não existem mais canais [de venda diferentes].”

    Aberta no Shopping Vila Olímpia, na zona Sul da cidade, a nova loja tem 170 metros quadrados. É quase seis vezes menor que as unidades tradicionais do Pontofrio, que contam, em média, com 1,1 mil metros quadrados. O número de funcionários também é menor: são nove, frente aos 25 dos pontos comuns. A equipe atua de modo diferente. O vendedor que atende o cliente também fecha a compra no caixa e entrega a mercadoria, se o item estiver em estoque. Não há caixas ou estoquistas. Todos são vendedores. Em média, o tempo entre pagar e retirar o produto é 35% menor, diz Nogueira, com base nos testes feitos até agora.


    Mas a despeito do chamariz tecnológico e do atendimento especializado, a companhia não pretende abrir muitas lojas do tipo. O plano, em vez disso, é testar tecnologias para saber quais se mostram mais eficazes e, então, adotá-las nas demais lojas. O que será implantado em cada uma delas vai depender, em grande parte, do perfil do público.

    No ano passado, a Via Varejo contratou 600 profissionais de tecnologia da informação para criar os sistemas necessários para que as lojas estejam preparadas para oferecer as novidades aos clientes. “A equipe de TI praticamente dobrou, para perto de 1,3 mil pessoas”, diz Marcos Teixeira, diretor de tecnologia. É essa costura invisível de softwares e equipamentos que fornece as fundações exigidas para unir on-line e off-line.

    Desde outubro, essa base tecnológica – não as inovações em si – foi implantada em 250 pontos de venda, incluindo Pontofrio e Casas Bahia. Até o fim do ano, a previsão é que as cerca de mil lojas existentes, somadas as duas redes, estejam com a infraestrutura pronta. A empresa não revela quanto investe em tecnologia da informação.

    Entre as novidades disponíveis estão óculos de realidade virtual, com os quais o cliente pode interagir com simulações de cenários montados com objetos à venda na loja. Com um joystick, é possível, por exemplo, abrir as portas do armário da cozinha, conferir como é por dentro um modelo de geladeira ou trocar as cores da bancada.

    Em outro ponto da loja, uma vitrine virtual formada por uma tela gigante exibe, em tamanho real, produtos de grande porte, como refrigeradores. E mais à frente, uma prateleira virtual engana os olhos ao mostrar objetos menores, como liquidificadores e batedeiras, no meio de duas prateleiras com produtos de verdade.

    Boa parte do esforço foi para criar conteúdo, ou seja, preparar as imagens para exibição nas telas, acompanhadas de informações como preços e disponibilidade, diz Thiago Pasqua, diretor de lojas premium da Via Varejo.

    Um mapa de calor mostra a concentração de pessoas no corredor da loja e indica se elas entram ou não no Pontofrio. A partir daí, sete câmeras com reconhecimento de face identificam sexo e faixa etária, e acompanham o público dentro da loja. As imagens dos rostos, diz Nogueira, não são guardadas. O sistema “lê” o humor do cliente e o classifica em várias gradações entre insatisfeito e muito satisfeito, o que é levado em conta na remuneração dos vendedores.

    A proposta é que mais novidades sejam acrescentadas em breve, como em um laboratório. Um dos projetos envolve a realidade aumentada, que projeta imagens virtuais sobre cenários reais. A meta é evitar o velho pesadelo de comprar um objeto sem medir ao certo o espaço disponível e depois se decepcionar ao ver que o sonho de consumo atravanca o ambiente.

    Fonte: Valor Econômico