Olá amigos!

Durante uma semana, busquei desvendar os principais pontos de varejo de Bogotá, e agora divido essa experiência com vocês, num total de 6 vídeos.

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Logo após o vídeo, meu artigo sobre as impressões sobre a cidade e seu varejo.

Vídeo 1/6 - La Candelária e o Centro de Bogotá



Vídeo 2/6 - O sensacional mercado de pulgas de Paloquemao



Vídeo 3/6 - Andrés DC - um dos lugares mais inusitados para se conhecer em Bogotá




Vídeo 4/6 - O mercado central de Paloquemao



Vídeo 5/6 - La14, uma grata surpresa e um trabalho fantástico de trade marketing.



Vídeo 6/6 - A famosa Zona T (Zona Rosa), suas grifes e centros comerciais.




UM RAIO X DO VAREJO EM BOGOTÁ:

Pablo Escobar. Farcs. Valderrama. Shakira.

Infelizmente, essas são algumas das pouquíssimas referências que temos sobre a Colômbia, um país riquíssimo culturalmente e que por conta de seu passado ainda recente, principalmente no combate à violência e ao narcotráfico, há um grande preconceito em relação à sua cultura, seu turismo e sua economia.

Eu passei uma semana na capital do país, Bogotá, e quero dividir com vocês algumas opiniões sobre a cidade, sua cultura e claro, como é o varejo de lá.

A primeira e uma das mais importantes para quem não conhece o país: Bogotá é hoje uma cidade muito segura. Em algumas regiões, como a Zona T, ou Zona Rosa, um dos bairros mais ricos da cidade, a sensação de segurança é a mesma que se tem em locais como Manhattan ou na região central de Londres. Não há perigo, mesmo de noite.

Mesmo no centro da cidade e em sua região histórica, conhecida como “La Candelária”, a sensação de segurança é muito boa. Me senti mais seguro do que nas cidades do Brasil.

Além dos seguranças particulares, há a própria polícia, presente em quase todos os quarteirões e facilmente reconhecidos por seus uniformes verde-limão-fluorescente, assim como há soldados do exército em pontos estratégicos da cidade, armados com fuzis. Há um controle rígido de segurança em alguns pontos, e não raramente, há a necessidade de se abrir bolsas e mochilas para se entrar em alguns prédios ou regiões, bem como os carros particulares são revistados antes de entrar ou sair de alguns estacionamentos, como nos shopping centers, aqui chamados sempre como centros comerciais.

A Zona T tem uma vida comercial e noturna intensa, principalmente nos finais de semana, onde recebe uma grande leva de turistas. É uma região que envolve cerca de meia dúzia de quarteirões e algo que poderia servir de inspiração para regiões como a Oscar Freire em São Paulo. Por conta do fluxo de turistas, aliado à grande segurança, é a região da cidade onde estão localizadas as grandes grifes internacionais, bem como as principais marcas mundiais de moda, como Forever 21, Zara, Nike, Adidas, Ferragamo, entre outras, dividindo o espaço com cassinos, restaurantes e bares. Há inclusive calçadões onde não há circulação de carros, com uma grande concentração centros comerciais. São três, um do lado do outro, o Atlantis, o El Retiro (onde está localizado o Andrés DC, um restaurante inusitado e um dos locais mais visitados da cidade) e o Andino.

Pela qualidade e público-alvo do comércio nessa região, é onde você acaba encontrando mais facilmente pequenas marcas locais e locais que estão surgindo, fruto do empreendedorismo local, alguns com ideias e produtos muito criativos.

Entretanto, visitar Bogotá e conhecer somente a Zona T pode criar uma falsa impressão da cidade e seu real comércio. A Zona T é como uma ilha de prosperidade e modernidade na cidade, longe de sua realidade.

É principalmente na avenida 7, aqui conhecida como “la sétima”, que se conhece um pouco mais da cidade e seu comércio. Há algo muito parecido entre o centro de Bogotá e o centro de cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba entre outras. Se você mora em um desses grandes centros brasileiros, facilmente se adaptará à cidade. Há também alguns calçadões comerciais onde é possível se encontrar de tudo um pouco, como eletroeletrônicos, moda, calçados e artesanatos, mas percebe-se que há uma necessidade de uma revitalização do comércio da cidade. Muitas lojas que ainda funcionam apenas como “ponto-de-venda-de-algo”, por vezes sem finalidade específica, sem trabalho de marca ou identidade, e que muitas vezes, flertam fortemente com a pirataria, a falsificação e a informalidade, assim como ocorre nos grandes centros brasileiros. Não há nada de novo no front, mas sabemos que é um tipo de varejo que tem cada vez mais dificuldade em se perdurar financeiramente saudável e interessante.

Há também um certo descuido com as edificações e principalmente as fachadas dos negócios em algumas áreas do centro, onde se cria uma imagem negativa e pouco convidativa.

Uma das atividades fortes do comércio do centro da cidade está no comércio de pedras e joias, principalmente esmeraldas, pedra pela qual o país é reconhecido por sua produção e qualidade. Há muitas galerias comerciais somente com esse propósito, e não é raro alguém lhe oferecer a compra de alguma pedra no meio da rua, onde o livre comércio acontece mesmo com a forte fiscalização da polícia.

Há uma tentativa de se padronizar o comércio ambulante na região central, abrigando esses comerciantes em uma espécie de totem, que pode ser fechado e trancado durante a noite. Algo positivo para fugir da informalidade e criar uma imagem positiva.

No principal mercado de abastecimento da cidade, o mercado de Paloquemao, pode se conhecer um pouco mais da variedade de frutas, temperos e ervas que existem no país, e assim como em outros mercados encontrados no Brasil, é possível se provar refeições típicas do país ou comprar artesanatos locais, ainda que os espaços sejam pouco trabalhados para esse papel, ainda sendo pouco atrativo aos turistas.

Sobre os shoppings na cidade, fazer um raio-x com maior profundidade do mercado é algo difícil, pois há tantos shoppings na cidade como há em cidades brasileiras como São Paulo e Rio de Janeiro. Porém analisando cerca demeia dúzia de shoppings que pude conhecer, foi possível tirar algumas percepções.

Eu pude perceber uma certa dificuldade nos negócios, tal qual se encontram os shoppings atualmente no Brasil. Alguns shoppings que visitei como o Calima, o El Retiro ou o Hacienda (fazenda) Santa Barbara, tinham muitos espaços sem lojas e corredores bem vazios. Há com no Brasil, ondas de fluxo, principalmente nos horários de refeições, e que se intensificam muito nos finais de semana, como ocorre no Brasil. Entretanto, a diferença entre o movimento mais intenso é o movimento fora dos horários de pico é brutal, o que pode ser que seja um problema a ser trabalhado pelos empreendimentos e lojistas, no intuito de ser cada vez menos um local apenas para compras ou refeições, e cada vez mais um espaço para toda a sociedade. Num domingo de manhã, dentro de um dos shoppings que visitei, pude presenciar uma inusitada missa católica acontecendo dentro do shopping, e com cadeiras cheias.

Analisando alguns negócios presentes nos shoppings daqui, há sim algumas marcas quase onipresentes em todos os empreendimentos que visitei, mas há muitas marcas que possuem negócios, que tal como no Brasil, onde é difícil entender pela proposta do negócio, produtos e principalmente pela aparente falta de interesse dos consumidores (lojas vazias), como é que de fato esses negócios podem prosperar no médio/longo prazo.

Há marcas brasileiras como Boticário, Carmen Steffens e Chilli Beans, mas percebi que as marcas e franquias internacionais têm lojas mais nas ruas do que nos shoppings que visitei.

Enfim, Bogotá é uma cidade que deve ser conhecida e mais estudada pelas marcas brasileiras. Há um grande cenário de oportunidades e um mercado interessante em termos de consumo.

Um grande abraço e boas vendas

Caio Camargo
Editor | @falandodevarejo