quarta-feira, 16 de julho de 2008

Formato de lojas no varejo de construção

Dos anos 80 para cá, assistimos a uma grande transformação do varejo de construção como conhecemos. Com o advento do auto-serviço, passou de empoeirados balcões restritos a profissionais e ao público masculino para imensos locais de compras, cada vez mais generalizadas.

Hoje, abrange diferentes setores e atrai cada vez mais um público diverso, buscando produtos novos e variados, mas sem nunca deixar de oferecer recursos como preço e entrega diferenciada.

A partir do final dos anos 90, assistimos a uma nova transformação desse varejo, por meio de fusões e inserção de multinacionais e capitais estrangeiros dentro do setor.

Redes como C&C Casa e Construção, Leroy Merlin, Telhanorte e Castorama – que mais tarde teve sua operação no país incorporada à C&C – levaram o varejo de construção a um novo patamar, igualando-se em porte e oferta de produtos aos hipermercados e outros grandes varejos espalhados pelo mundo.

Entretanto, tal qual aconteceu com os hipermercados, estamos assistindo a um novo processo de implantação de lojas, pelo menos no que diz respeito a regiões metropolitanas, mais saturadas em frente à concorrência. As grandes redes varejistas, como Carrefour e Pão de Açúcar, estão aderindo a um novo modelo de negócio que simula uma grande tendência de mercado para nosso setor.

Para que se sustentem, formatos grandes precisam estar locados em grandes corredores urbanos, ou em cidades com alta densidade populacional, a fim de, com um grande tráfico de pessoas – e por conseqüência, clientes – suprir as necessidades econômicas de implantação e manutenção.

Com uma escassez de espaços com estas características, as grandes redes estão recorrendo à criação de submarcas, de espaço e mix reduzidos, capazes de se instalarem em bairros e cidades menores, dado o baixo custo e a limitada necessidade de vendas.

O Pão de Açúcar, por exemplo, utiliza a bandeira Extra como uma rede de hipermercados, implantados em locais de alto tráfego ou em bairros de grande densidade. Para bairros de perfil elevado, é sempre utilizada a bandeira Pão de Açúcar, a qual se tornou uma loja com um mix mais seleto de produtos, focado na qualidade. Para bairros mais carentes, é utilizada a bandeira Compre Bem, a antiga Barateiro, que hoje oferece aos seus clientes produtos de marcas consagradas por preços mais competitivos em relação ao mercado.

Dentro de nosso setor, os varejistas vêm se questionando qual é o melhor momento para tomar essa atitude e se a mesma ainda é necessária. Utilizando como motor uma grande rede, uma nova bandeira poderia usufruir melhor poder de compra e capacidade de entrega frente à concorrência de bairro.

O poder de fogo das lojas de bairro é enorme. Atualmente, 72% do capital gerado pelo setor têm origem no comércio de médio e pequeno porte. Redes como C&C Casa e Construção buscam novos formatos, criando conceitos como a C&C Express, loja de tamanho e mix reduzido localizada principalmente dentro de shopping centers. Todo o mix é focado em impulso e conveniência. Na contramão deste, algumas lojas estão se unindo e buscando parcerias, por meio da criação ou associações com cooperativas, como é o caso das redes Construir e Okinawa.

Associando-se, conseguem competir melhor com a indústria, posto que os pedidos são maiores e criam sistemas de armazenagem e logística próprios, gerando mais força de mercado. Se de um lado os home centers iniciaram um processo de “redução” de formato, a fim de entrar no bairro, as lojas de bairro estão “crescendo” por meio da associação com demais lojas.

Quem vence esta disputa? O consumidor, pois com o embate entre os dois lados, surgirão maiores ofertas de produtos e serviços.

Boas vendas

Caio Camargo
http://falandodevarejo.blogspot.com/
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