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Notícias: O paradoxo do comércio varejista

Publicado por Estadão

As vendas no comércio varejista, na série com ajuste sazonal, cresceram 1,5% em fevereiro, em relação a janeiro, e 3,6% em relação ao mesmo mês de 2008. Nos dois primeiros meses do ano o crescimento foi de 4,9%. No ano passado, antes da crise, o Banco Central teria considerado que a defasagem entre o crescimento das vendas varejistas e a queda da produção industrial no período (-17,2%) justificaria uma política monetária mais austera.Eis aí o paradoxo da situação atual: num período de afrouxamento da produção e de crescimento do desemprego, registrou-se um aumento do comércio doméstico.

A melhor explicação para essa anomalia, que não se verifica em outros países, é que a massa de rendimentos está crescendo por causa do aumento do salário mínimo, da folha do funcionalismo e da estabilidade dos preços - sem falar das transferências do governo.

Isso favorece o aumento das compras em supermercados - de 2,4%, em relação ao mês anterior, e de 5,4%, sobre o mesmo mês de 2008. Esse setor responde por mais de 70% da alta das vendas varejistas. Tem-se a impressão de que as famílias, ao gastarem menos em bens de consumo duráveis, ficam mais propensas a aumentar suas compras de bens alimentícios. De fato, as vendas de móveis e de eletrodomésticos, assim como as de vestuário, recuaram 1,3%. Registra-se um aumento de 5,2% nas vendas de equipamentos de informática e comunicação, mas em razão de uma queda de 10,7% no mês anterior, que levou as lojas a oferecerem bons descontos em fevereiro aos compradores.

O comércio varejista ampliado, que inclui as vendas de veículos e de materiais de construção, leva-nos a considerar os efeitos da desoneração de alguns impostos sobre esses setores. As vendas de veículos, que tinham aumentado 11,9% em janeiro, cresceram ainda 4,4% em fevereiro, embora no acumulado de dois meses acusem redução de 4% em relação a 2008, em razão de uma queda da venda de caminhões. Pode-se considerar que a política de desoneração fiscal teve um efeito real. No caso do material de construção, depois de dois meses de recuo tivemos, em fevereiro, crescimento de 4,4%, que representa uma ligeira recuperação da construção civil na espera do que o governo tem programado para o setor.

A conclusão é de que, com menor taxa de juros e ampliação do crédito, o brasileiro mantém a propensão a consumir, mesmo com risco de inadimplência.

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