sábado, 12 de setembro de 2009

Calote no varejo recua 13% em agosto no País

Ao contrário do que mostram os indicadores do Banco Central (BC) sobre o sistema financeiro, a Confederação Nacional de Dirigentes de Lojistas (CNDL) e o Serviço Nacional de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) informaram ontem que, entre os clientes do comércio, a inadimplência está em queda no País, mesmo com alguns dos efeitos da crise global ainda sendo sentidos no varejo. De acordo com as entidades, o número de registros de falta de pagamento incluídos no SPC Brasil recuou 13,16% em agosto na comparação com julho e 1,38% ante o mesmo mês de 2008.
No ano, a queda é de 8,8%.

Os números fazem parte do banco de dados das duas instituições, que abrange 150 milhões do Cadastro de Pessoas Físicas (CPFs) de todos os Estados e do Distrito Federal. Já o número de consultas ao SPC Brasil para compras a prazo e pagamentos em cheque - indicador que mede o movimento do comércio - caiu 4,26% no mês passado, ante julho, mas apresentou alta de 2,59% na comparação com agosto de 2008, quando a crise começava a ganhar forma, e de 2,88% no ano.

Uma série de fatores explica a queda da inadimplência, segundo o presidente do SPC Brasil, Roberto Alfeu Pena Gomes. Entre eles, estão a antecipação do pagamento do 13º salário, a restituição do Imposto de Renda, o aumento da massa salarial e a redução do desemprego.

Colaboram também para o cenário mais positivo a queda da taxa básica de juros (Selic) e a recomposição dos estoques que, conforme Alfeu, recomeçou após a fase mais aguda da crise.

O levantamento do comércio indica que as mulheres continuam com mais problemas de finanças pessoais do que os homens: 55,54% das pessoas registradas no SPC Brasil em agosto eram do sexo feminino contra 44,46% do masculino. O perfil da inadimplência revela também que mais da metade da dívida em atraso está concentrada nas faixas de valores mais baixas, de até R$ 100,00: 28,87% da inadimplência é de montantes até R$ 50,00 e 23,69%, de R$ 50,01 a R$ 100,00.

Para setembro, a perspectiva de Alfeu é de continuidade da queda da inadimplência. "Claramente teremos um segundo semestre muito bom. Com certeza, setembro será bom também", comentou. Segundo ele, além dos fatores que já vêm beneficiando a queda dos atrasos até agora, alguns segmentos do comércio começaram a contratar trabalhadores temporários visando ao aumento das vendas de Natal, a melhor data do ano para o setor.

Para o presidente do SPC Brasil, a taxa de inadimplência medida pelo BC também deve cair nos próximos meses. Segundo os dados do BC, o atraso no pagamento das operações de crédito livre subiu pelo oitavo mês consecutivo em julho, chegando a 5,9%, o maior patamar da série histórica.

A estatística do BC, porém, é diferente da feita pelas entidades dos lojistas. Ela abrange os empréstimos bancários com parcelas de atraso superiores a 90 dias, incluindo débitos de pessoas físicas e empresas.
 
Fonte: Agência Estado
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