sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Endividamento das famílias paulistanas volta a cair em setembro

Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) mostram queda da inadimplência e aumento da propensão a consumir

O endividamento das famílias paulistanas volta a cair em setembro, desta vez quatro pontos porcentuais, ao atingir 45% ante os 49% registrados em agosto. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) da Fecomercio, esse resultado mostra a retomada da tendência de queda do endividamento familiar no município de São Paulo, observada entre os meses de maio e julho. Em comparação com setembro de 2008, quando 53% das famílias estavam endividadas, a redução este mês chega a oito pontos percentuais.

Além do menor endividamento, a PEIC indica também diminuição da inadimplência das famílias paulistanas em setembro. O total de famílias com dívidas ou contas atrasadas baixou de 19% em agosto para 18% este mês. Já o total de famílias que acreditam não ter condições de pagar total ou parcialmente suas contas nos próximos meses mostra redução de 8% em agosto para 7% em setembro.

A PEIC mostra que este mês 89% dos entrevistados afirmam que não pretendem pegar financiamento nos próximos meses, contra 92% em agosto. Por outro lado, declararam que planejam comprar a crédito no futuro próximo 10% dos consumidores entrevistados em setembro, frente aos 7% registrados em agosto.

“A propensão a consumir está em alta, já que, confiantes nos rumos da economia, mais consumidores planejam comprar a crédito nos próximos meses”, afirma Adelaide Reis, economista da Fecomercio. Ela observa que apesar da oferta de crédito para pessoas físicas estar em crescimento, a sua concessão vem mostrando-se mais seletiva e direcionada aos financiamentos de menor risco, principalmente o crédito consignado e o financiamento imobiliário.

“Com a maior seletividade do crédito, o consumidor acaba abusando do cartão de crédito que tem as taxas de juros mais caras do mercado, chegando a superar os 200% anos ano”, assegura Adelaide. Dados apurados pela PEIC indicam que entre os tipos de dívida mais utilizados pelas famílias paulistanas em setembro destacam-se: o cartão de crédito, que continua líder com 65% das dívidas assumidas (resultado estável em relação a agosto), os carnês com 38% das dívidas; seguidos pelo crédito pessoal com11% e o cheque especial com 9% das operações de crédito em setembro.

Aumenta o risco da inadimplência

Adelaide destaca que nos próximos meses há possibilidade de elevação do índice de inadimplência, devido à queda na qualidade do crédito com o aumento nos prazos de pagamento das faturas dos cartões de crédito pelos consumidores. No ano passado, os consumidores liquidavam suas faturas, em média, em 31 dias. Nos sete primeiros meses deste ano, esse prazo médio subiu para 53 dias (71% maior), segundo dados divulgados recentemente pelo Banco Central.

Ao analisar os dados tomados apenas em junho e julho deste ano verifica-se que o prazo médio de liquidação das faturas atingiu 62 dias, ou seja, aumentou 100% em relação ao ano passado. Há, portanto, um aumento do endividamento do consumidor por meio de empréstimos de custo extremamente alto, no caso os cartões de crédito, o que pode resultar em aumento potencial da inadimplência e redução da renda disponível ao consumo das famílias.

De acordo com a PEIC, o total de famílias paulistanas com dívidas atrasadas há mais de 90 dias o tempo subiu 45% em agosto para 49% em setembro. Outros 34% dos inadimplentes têm contas com pagamentos atrasados em até 60 dias.

Renda comprometida


Dados da PEIC revelam que 49% dos entrevistados em setembro têm renda familiar comprometida com o pagamento de dívidas por mais de um ano; outros 49% têm até seis meses da renda familiar em comprometimento com dívidas.

No que diz respeito à parcela da renda do consumidor comprometida com pagamento de dívidas, a PEIC indica que em setembro 53% dos entrevistados têm até 30% da renda familiar mensal comprometida com dívidas, contra 52% das famílias em agosto. Outros 25% dos entrevistados têm entre 31% e 50% da renda familiar comprometida com dívidas.

“Para os próximos meses, permanece a recomendação de atenção já que pode haver aumento do endividamento familiar, mas principalmente um crescimento da inadimplência das famílias paulistanas”, conclui Adelaide.
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