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Entrevista: Thaís Frota - Acessibilidade no varejo

Ola a todos.
O tema Acessibilidade ainda gera grande discussões dentro do mundo do varejo. Visto por uns como uma questão de respeito e por outros como uma questão de obrigação, o Falando de Varejo convidou a arquiteta Thaís Frota, autora do blog Arquitetura Acessível para um bate-papo.
Segundo,a arquiteta: "Se o lugar não está pronto para receber TODAS as pessoas, então o lugar é deficiente".

Veja abaixo a entrevista realizada com a arquiteta

Falando de Varejo (FV) : Durante muito tempo, quando se tratava de cegos, cadeirantes, entre outros, a sociedade tratou este tipo de cliente utilizando a terminologia "Deficiente físico". Atualmente vêm sendo empregada a palavra "Portador de necessidades especiais (PNE)". Qual o correto tratamento com este tipo de cliente? De que forma ele gosta de ser tratado, ou seja, como este deve ser abordado no ponto-de-venda?

Thaís Frota: O termo "portador" não está mais sendo adotado pela ABNT e pela ONU. Ninguém "porta" uma deficiência, e sim "tem" uma deficiência. Portanto é correto falar "pessoa com deficiência". O termo "pessoa com deficiência" engloba todo tipo de deficiência.

FV: Da mesma maneira, na hora do atendimento, como este tipo de cliente não gosta de ser tratado?

Thaís Frota: Aja sempre com naturalidade! O deficiente quer ser visto como qualquer outra pessoa. Os vendedores devem agir sempre com naturalidade.

FV: Quando pensamos em adaptações para este cliente, pensamos rapidamente em rampas de acesso ou banheiros adaptados, adaptações tradicionalmente obrigatórias para aprovação do edifício. Que tipo de adaptações podem ser feitas para criar um ambiente de venda mais propício para este cliente? Em sua opinião, qual a maior dificuldade que um portador de necessidades especiais ainda enfrenta na hora de ir às compras?

Thaís Frota: Depende muito do tipo de compra. Em um supermercado os produtos são dispostos na horizontal. Se fosse na vertical atenderia pessoas de diversas alturas.Em lojas de roupas e shoppings, é muito difícil encontrar um provador de roupas adaptado (1,80m x 1,80m). Também é quase impossível encontrar etiquetas com preços e informações em Braille.Deve sempre ter um intérprete de LIBRAS disponível.
Quanto aos acessos e sanitários, podemos dizer que são os itens em que as pessoas estão se preocupando mais. Essas são as principais adaptações.

FV: Que ações tomadas nos dias de hoje você destacaria como interessante?

Thaís Frota: Qualquer intenção é interessante. Nada é descartado. Se pelo menos UMA pessoa se beneficiou dessas atitudes, a idéia já está valendo. Como as edificações não foram projetadas levando em conta o "desenho universal" (espaços usados por qualquer pessoa), temos muitas ADAPTAÇÕES. E muitas vezes as adaptações acabam excluindo as pessoas. O certo seria se todas as pessoas usassem os mesmos espaços, balcões, gôndolas, etc...

FV: Falando um pouco sobre contratação de profissionais, muitos ainda vêem ainda o portador de necessidades especiais apenas como um "funcionário obrigatório" à empresa. Quais são os aspectos positivos que este tipo de contratação gera ao empresário/empreendedor e à empresa ?

Thaís Frota: Muitas vezes as empresas acabam contratando pessoas com deficiência auditiva, para não tem que adaptar a empresa, e poder falar que ali trabalha um deficiênte.O mercado de trabalho para essas pessoas ainda é visto com preconceito. As vagas disponíveis quase sempre são de atendentes de telemarketing ou algo parecido. Já vi um deficiente visual gerente de banco! Mas é quase impossível ver outro. Ainda é muto difícil ver uma pessoa em cadeira de rodas em papel de destaque na empresa.

FV: Para terminar, gostaria que comentasse um pouco sobre seu trabalho, e também que deixe seu contato para quem deseja mais informações.

Thaís Frota: Amo o que faço!Não me vejo fazendo outra coisa, e mesmo sem ter deficiência estou na luta por uma cidade acessível. Mais detalhes sobre meu trabalho está no meu blog, na parte "Atividades Profissionais". http://blog.thaisfrota.com/

Thaís Frota: A arquiteta especializada em acessibilidade se dedica à essa questão desde 2005, quando apresentou o trabalho de conclusão de curso “Parque Sensorial”, indicado ao prêmio Ópera-prima pela FAU/Unisantos.
Desde então já realizou cerca de quatro mil vistorias técnicas e laudos, sempre ligados ao assunto. Como a própria arquiteta costuma dizer: “Todos os dias da minha vida profissional foram dedicados à questão da acessibilidade”.
Sua grande meta é popularizar o assunto – que contribuirá para uma maior conscientização das pessoas em relação à questão da acessibilidade.

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