segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Natal chega mais cedo às lojas neste ano

Produtos importados mais baratos e crédito de sobra aquecem o consumo já em novembro, antes mesmo da alta temporada de vendas

A temporada de vendas de Natal, que começou no dia 15 de novembro e vai se estender até o dia 24 de dezembro no calendário das varejistas, chegou mais cedo neste ano. O dólar barato fez com que os fabricantes de eletroeletrônicos, por exemplo, baixassem os preços às vésperas da safra de fim de ano, sobretudo de produtos mais sofisticados, que possuem mais componentes importados ou são totalmente fabricados no exterior.

A possibilidade de comprar produtos mais em conta, aliada às formas de parcelamento mais atraentes, levou os consumidores para as lojas antes mesmo do pagamento do 13º salário, o que provocou um movimento atípico de vendas nos dois últimos meses.

A Associação Comercial de São Paulo prevê que as vendas vão crescer 12% já em novembro, uma taxa recorde. Em outubro, as vendas do comércio aumentaram 10,9%. Essa aceleração do consumo já foi sentida pelo varejo na primeira quinzena deste mês, às vesperas da temporada de Natal.

Marcel Solimeo, economista-chefe da entidade, acredita que o percentual de 12% será mantido em dezembro. Para ele, as pessoas não estão apenas antecipando as aquisições de fim de ano e, sim, gastando mais.

“Vendemos mais TVs em setembro do que durante a Copa (em junho) e mais produtos de linha branca (eletrodomésticos) em outubro do que no Dias das Mães”, afirma Hugo Bethlem, vice-presidente para assuntos corporativos do Grupo Pão de Açúcar, a maior varejista do País e a dona das redes Extra, Ponto Frio e Casas Bahia.

Em anos de Copa do Mundo, as vendas de televisores normalmente ficam concentradas no primeiro semestre, que costuma responder por 60% da demanda naquele exercício. Mas, com a forte procura nesses últimos meses, 2010 será diferente. “As vendas no segundo semestre devem ser iguais às dos seis primeiros meses do ano”, afirma José Fuentes, vice-presidente da Samsung, marca líder em televisores de LCD no Brasil.

“Já nem temos mais televisores 3D em estoque. Estamos esgotados nessa categoria”, diz o executivo da multinacional coreana, cujos aparelhos com imagens em três dimensões são a grande sensação nesta temporada de Natal.

A Samnsung, afirma Moline, já se prepara agora para as liquidações de janeiro, evento que foi incorporado ao calendário de marketing das varejistas e também transformou-se em forte período de vendas. Muitos consumidores esperam para fazer compras de itens mais caros, como eletroeletrônicos, depois do Natal, à espera de pechinchas, e as expectativas são de que as liquidações mantenham o varejo aquecido no início de 2011.

Importados invadem o varejo

Segundo Oliver Römerscheidt, gerente de negócios da consultoria GfK, os consumidores estão comprando produtos mais sofisticados, que ficaram mais acessíveis com a queda do dólar em relação ao real. Refrigeradores “side by side” (com dois gabinetes), lavadoras-secadoras de roupa com porta frontal, fabricados fora do Brasil, e fogões de seis bocas, por exemplo, ganharam mais espaço nas lojas, assim como aconteceu durante os primeiros anos do Plano Real, quando o País adotava a paridade cambial.

Neste ano, as vendas de refrigerados cresceram 8% entre janeiro a agosto , mas, em faturamento, esse aumento foi de 10% em relação a igual período de 2009, já que os consumidores estão adquirindo produtos mais caros, afirma a GfK. A mesma tendência é verificada no mercado fogões: em unidades vendidas, o crescimento neste ano foi de apenas 1%, mas, em faturamento, as vendas aumentaram 6,3%. No segmento de lavadoras, houve até mesmo uma redução no número de unidades vendidas, de 3,9%, mas, em valor, as vendas cresceram 0,5%.

Novas marcas

A Samsung começou a importar eletrodomésticos produzidos na Coreia a partir de junho deste ano. “Estamos testando o mercado para a implementação de uma fábrica de linha branca no Brasil”, afirma Molinero. A decisão de iniciar a fabricação no Brasil não leva em conta as variações cambiais, por se tratar de um investimento de longo prazo, acrescenta o executivo. A Panasonic anunciou há poucos dias que vai construir uma fábrica de refrigeradores e lavadoras no Brasil em 2011.

A entrada dessas novas marcas deve mexer com o mercado de linha branca, que é dominado no Brasil por duas grandes multinacionais, a americana Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul, e a sueca Electrolux.

Por enquanto, a aceitação aos produtos importados tem sido um sucesso, afirma o vice-presidente da Samsung. “Para o Natal, já vendemos tudo que importamos para o varejo”, diz Molinero.

Hábitos de consumo

A experiência mostra, contudo, que a diferença de hábitos de consumo pode ser um entrave às importações. E as lavadoras com porta frontal são um exemplo. No Brasil, os consumidores preferem lavadoras com a porta na parte superior, o que permite que ela seja aberta durante a lavagem. A Bosh foi obrigada a fechar a sua linha de produção de lavadoras com porta frontal em São Paulo pela falta de demanda.

Mas isso está mudando, avalia o vice-presidente da Samsung. “As lavadoras com porta frontal hoje são associadas a produtos premium, de alta qualidade”, afirma.
Fonte: IG
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