segunda-feira, 26 de março de 2012

Franchising como sistema de negócios

Com crescimento de 16,9% em 2011, franchising continua sendo um bom sistema de negócios, desde que franqueador e seus franqueados tenham claros objetivos e regras da operação

O segmento de franchising cresceu 16,9% no ano de 2011, segundo a Associação Brasileira de Franquias (ABF) e a estimativa é que em 2012 mantenha esse ritmo. Segundo Melitha Novoa Prado, consultora jurídica de varejo e franchising e autora do livro ‘Franchising Na Alegria e Na Tristeza’, isso ocorreu pela euforia da economia aquecida e melhora do poder aquisitivo do brasileiro, bem como pelo surgimento das chamadas microfranquias – marcas destinadas a pequenos investidores, que custam até R$ 50 mil – e até mesmo pela proximidade da Copa do Mundo, já que o setor que mais se destacou em crescimento no número de unidades franqueadas foi o de Hotelaria e Turismo.



Com a experiência de mais de 24 anos no trabalho preventivo de redes, Melitha consegue avaliar bem o sistema de franchising e sua evolução e também o momento pelo qual ele passa. E ela faz um alerta: “É preciso ter cuidado com o fato de que mesmo com o capital disponível e todo entusiasmo para adentrar ao mercado, alguns franqueadores e franqueados são vítimas de uma visão deturpada dos negócios, que objetiva ao faturamento a qualquer custo, sem conhecimento e assistência necessários sob o prejuízo de sofrer grandes revezes”.

O que Melitha diz é que o franqueado precisa se unir a uma marca que tenha testado o negócio e aprendido com ele; já tenha passado pelo período de experiência com o mercado e o cliente para adquirir know-how; tenha condições de oferecer produtos, serviços e suporte à rede e, acima de tudo, tenha perfil para ser franqueadora. “Quem investe no franchising, seja franqueador ou franqueado, precisa saber que os relacionamentos são muito importantes", destaca. Segundo ela, o franchising é um organismo vivo que requer cuidados e muita responsabilidade. “O franqueador tem que ser muito transparente com o investidor com relação às informações que tangem ao negócio, possibilitando a escolha consciente e acertada por parte dele, dirimindo assim falsas expectativas”, aconselha.

As dicas da consultora para quem está ou quer entrar em uma rede de franquia vão desde a busca de conhecimento e informações importantes para o negócio até o cultivo de um relacionamento saudável e frequente entre as duas partes. Outro requisito essencial é contratar uma assistência profissional para a formatação do negócio.

É sempre bom lembrar, segundo a advogada, que o franchising é um sistema que rende frutos a médio e longo prazo. “Já conheci franqueados que queriam desistir do negócio em apenas dois meses, por não apresentar o faturamento desejado”, relata. Para ela, o período de retorno de capital de uma franquia é de, no mínimo, de seis a sete meses e é preciso ter paciência. Melitha aponta a falta de pesquisa, incluindo viabilidade do negócio como causa principal de frustrações dentro do franchising. “O interessado em ser um franqueado deve pesquisar muito, buscar informação e, sobretudo, se identificar com a natureza do negócio, isto é, se for para o ramo de alimentação, deve ter talentos afins”, adverte.

Para o franqueador, as dicas recaem sobre a divulgação das informações e na gestão de pessoal. “Os processos de seleção devem ser minuciosos e muito claros, apresentando proposta, foco e os números do negócio de maneira transparente. Isso faz com que, no futuro, o franqueado não se decepcione com o negócio”. Igualmente importante para o franqueador é participar de cursos, palestras e se engajar em uma órgão de classe, como a Associação Brasileira de Franchising (ABF). “Vale lembrar que o relacionamento entre franqueador e franqueador é sinérgico, por isso, o franqueador sempre vai receber o que ele está dando, é um sistema de reciprocidade”, finaliza.

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