Quatro em cada dez consumidores possuem cartão de loja, mostra SPC Brasil

Quatro em cada dez consumidores possuem cartão de loja, mostra SPC Brasil

Principal motivação para quem adquiriu esse tipo de crédito é poder fazer mais compras. Três em cada dez usuários não analisaram as tarifas e juros cobrados

Uma alternativa ao cartão de crédito e outras modalidades financeiras disponíveis para os brasileiros é o conhecido cartão de loja. Um levantamento realizado em todas as capitais pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostra que 44,5% dos consumidores possuem cartões de loja e a principal motivação para 38,1% destes é poder fazer mais compras. Segundo a pesquisa, 46,9% dos entrevistados que têm cartão adquiriram essa modalidade de pagamento após receberem uma oferta do varejista e 38,8% fizeram a solicitação nas lojas.

Para os especialistas do SPC Brasil e CNDL, a facilidade de conseguir crédito no cartão de loja deve ser encarada com receio pelo consumidor. “Caso a pessoa tenha feito uma boa análise sobre a pertinência de mais uma modalidade de crédito no orçamento pessoal, o novo cartão pode até ajudar na compra de novos produtos, mas caso o histórico seja de descontrole nos gastos, talvez seja melhor não utilizá-lo”, explica a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti. A pesquisa mostra que, no momento que adquiriu o cartão, três em cada dez (29,9%) usuários não analisaram as tarifas ou juros cobrados e 40,0% não sabem dizer o número de parcelas ainda não pagas de compras realizadas com o cartão de loja – entre os que sabem, a média é de três parcelas.

O descontrole financeiro de alguns brasileiros com o uso do cartão de loja é confirmado quando se observa que 25,7% dos que o utilizaram já ficaram com o nome sujo em algum momento pelo não pagamento das faturas, sendo que 6,4% ainda estão negativados.

30% ainda utilizam crediário ou carnê

Outras modalidades analisadas pela pesquisa do SPC Brasil e da CNDL são o crediário e o carnê. Cerca de 29,9% ainda utilizam essas formas de pagamento, sendo que 48% possui em média 1,7 carnês ou crediário atualmente e a contratação do serviço foi feita principalmente por meio da solicitação à loja (58,5%) e as principais motivações para ter esse tipo de serviço é poder comprar mais (42,3%) e realizar um sonho de consumo (20,2%).

Assim como com o cartão de loja, parte significante dos entrevistados (20,8%) não analisou as tarifas e/ou juros cobrados, principalmente por causa de falta de interesse. Quase quatro em cada dez consumidores que têm crediário ou carnê (35,6%) não souberam responder quantas parcelas de compras realizadas no crediário ou carnê possuem – entre os que sabem, a média de quatro parcelas.

Em relação à inadimplência no uso do crediário ou carnê, 32,7% dos entrevistados que possuem essas modalidades já ficaram com o nome sujo pelo não pagamento e 5,9% ainda estão negativados.

Produtos mais comprados: roupas, calçados e eletrodomésticos

O levantamento mostrou que o cartão de loja, o crediário e o carnê são utilizados, principalmente, para compras de roupas (75,0%), calçados (64,0%) e eletrodomésticos (34,3%), sendo que 17,6% fazem compras parceladas através destes meios ao menos uma vez por mês. Questionados sobre as principais vantagens das três modalidades, a maior parte dos consumidores cita a possibilidade de parcelar suas compras (28,5%) e a segurança de não precisar andar com dinheiro ou cheque (15,3%).

Para o educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli, parcelar as compras é um benefício para o consumidor, mas deve ser utilizado com cautela. “Deve-se evitar fazer muitas prestações simultâneas para não perder o controle do seu orçamento”, explica.

“Caso seja o parcelamento seja necessário, é importante fazer um rígido controle do número de parcelas para evitar ficar com o nome sujo”, alerta Vignoli. Entre os entrevistados que não possuem cartão de loja, crediário ou carnê, a principal justificativa é a preferência pelo pagamento das compras à vista (19,7%).

A pesquisa revelou que, para 66,8% dos entrevistados, essas modalidades de crédito são instrumentos positivos, principalmente por possibilitar a aquisição de produtos de uma forma mais fácil (31,0%).

Metodologia

A pesquisa entrevistou 674 consumidores de todas as regiões brasileiras, homens e mulheres, com idade igual ou maior a 18 anos e pertencentes às todas as classes sociais. A margem de erro é de 3,8 pontos percentuais e a margem de confiança, de 95%.
Anterior
Próximo

post written by:

0 Comentários: