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Como as fast fashion impactam no e-commerce de vestuário?

Com coleções trocadas com frequência e peças mais baratas, o mercado de fast fashion não para de crescer. De acordo com dados do relatório "The Fashion and Apparel Industry Report", esse setor deve passar de US$ $481,2 bilhões em 2018 para uma projeção de US$ 712,9 bilhões em 2022. O poder de compra deve aumentar, assim como o número de consumidores em potencial, que pode passar de 1,2 bilhões em 2020, a maior parte deles nas faixas etárias de 16 a 24 anos e 25 a 34 anos.

Carlos Alves, da Riachuelo
Esses dados refletem diretamente no e-commerce desse setor, já que caminham em paralelo a uma massificação do acesso a telefones celulares com internet e hábitos crescentes de compra online. O relatório levanta também alguns desafios ao crescimento do fast fashion: a morte da fidelidade absoluta às marcas devido a fragmentação cada vez maior do mercado; custos das altas taxas de devolução de produtos, que podem chegar a 50%, a característica do fast fashion de captar tendências no ar e transformá-las em produtos muito rapidamente, e a pressão dos consumidores de que essa moda seja mais ética e sustentável - o grande calcanhar-de-aquiles do setor.

Algumas marcas têm se expandido online com uma estratégia pensada para vender fast fashion na internet, renovando a linha de roupas mensalmente, com designs exclusivos para cada coleção, um controle de qualidade rígido, bem como valores menores que o das concorrentes. Outras inovações são vídeos para mostrar o caimento das peças e políticas diferenciadas de entrega e devolução.

Mas tanto veteranos quanto recém-chegados estão se mexendo para não perder esse mercado. A gigante Amazon tem 18 marcas próprias de vestuário. Marcas de nicho, como as plus size Dia &Co e a Eloquii, estão aproveitando para abocanhar mercados subatendidos e carentes no varejo tradicional. Novos modelos surgem: as varejistas eletrônicas infantis Kidbox e Mac & Mia oferecem assinaturas, voltadas para famílias com pouco tempo para comprar roupas, com o apelo adicional da curadoria de estilo. Tem dado tão certo que o conceito está sendo adotado também por varejistas como a Gap, tradicionalmente ancorada em lojas físicas.

Um dos grandes desafios é trabalhar com tabelas e referências confiáveis para que o consumidor consiga escolher a numeração sem surpresas. O mercado de vestuário online certamente continuará a crescer à medida que mais pessoas se sintam confortáveis comprando roupas, sapatos e acessórios na web. Nesse sentido, as operações baseadas em lojas físicas, como Macy's, The Children'sPlace e Gap estão investindo em tecnologia omnichannel e ferramentas conectadas. No caminho inverso, a já citada Amaro criou uma conceptstore, a Guide Shop, que pode ajudar a criar uma referência positiva com o consumidor que quer conhecer acabamentos e provar a peça antes de comprar online.

Cada vez mais, os consumidores consideram o comércio eletrônico apenas mais uma forma de comprar coisas, esperando que smartphones, computadores e lojas funcionem entre si sem atrito. Com novas tecnologias e integração do omnichannel, o passeio no shopping de sábado à tarde pode converter vendas em plena quarta à noite, da mesma forma que quem foge de lojas pode não precisar pisar em uma nunca mais, com ajuda de novas tecnologias de smart fitting, como a Virtusize, que ajuda a comparar peças do seu próprio guarda-roupa que te vestem bem com o que você está vendo na tela e imaginando como ficaria em você.

Artigo escrito por Carlos Alves, Diretor de Marketplace da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), Head de E-Commerce na Riachuelo e Vice-presidente da ABLEC sendo um dos precursores dos shoppings virtuais no país e o primeiro lojista a integrar em uma mesma plataforma todos grandes players nacionais.

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