RPA, blockchain e moedas digitais: três apostas para 2020

RPA, blockchain e moedas digitais: três apostas para 2020

Na última década, vivenciamos mudanças tecnológicas nunca esperadas. Vimos indústrias serem completamente transformadas pela evolução da tecnologia – os serviços de streaming, aplicativos de delivery e mobilidade urbana são a prova disso – acompanhamos também o nascimento de negócios totalmente digitais.

Para 2020, automação robótica de processos (RPA, na sigla em inglês), blockchain, as moedas digitais despontam como iniciativas que estarão no foco dos investimentos nas empresas. De acordo com o Gartner, que desenvolve pesquisas nas áreas de tecnologia e inovação, os gastos com TI neste ano, no Brasil, devem chegar aos R$ 266 bilhões, um aumento de 2,5% em relação a 2019.


Podemos apostar que RPA terá um grande ano, por contar com uma tecnologia que automatiza tarefas repetitivas e que consomem muito tempo das pessoas, mas não é um robô físico. Essa inovação utiliza várias aplicações de software para desempenhar atividades como: processamento de pedidos, geração de relatórios e envio de notificações. Tudo isso, sem cometer erros.

Atualmente, apenas grandes empresas estão adotando RPA em larga escala, mas em 2020, a tendência chegará também aos negócios de pequeno e médio porte. Para se ter uma ideia, segundo o Gartner, o investimento, em 2019, neste tipo de software foi de cerca de US$ 1,3 bilhão – 63% a mais que em 2018. E por conta desse aumento, RPA é considerada a solução que mais cresce no mercado global de TI corporativa.

A RPA oferece maior precisão para tarefas automatizadas e repetitivas. No mercado financeiro, por exemplo, ela já é responsável por dois terços dos serviços: de cobranças a aberturas de conta. Entre os principais benefícios estão: melhoria da eficiência operacional, ou seja, fazer mais atividades com menos recursos e aumentar o tempo dedicados a funções mais analíticas e estratégicas. Outro ponto positivo é apoiar na tomada de decisão, que passam a ser pautadas em informações com 100% de acuracidade.

Entrando no conceito do blockchain, será que vai dar a volta por cima? A tecnologia por trás das transações de moedas digitais - é, sem sombra de dúvida, uma inovação incrível. Porém, desde que surgiu como 'a próxima grande tendência', o blockchain teve poucas aplicações práticas relevantes. Mas afinal, o que está impedindo a adoção em larga escala desta tecnologia? São vários fatores, mas falando em termos gerais, alguns dos desafios estão nos custos, capacidade de expansão e confiabilidade.

O recente anúncio de que grandes empresas como Amazon e Microsoft estão comprometidas com o desenvolvimento de serviços em torno do blockchain, é um sinal positivo e mostra que, provavelmente, a tecnologia voltará a crescer em 2020.

Na medida em que o online está cada vez mais presente no dia a dia da população, as moedas digitais, desde que surgiram, em meados de 2009, têm sido usadas mais para poupar ou investir recursos. Entretanto, em 2019, vimos o lançamento da Libra, a criptomoeda do Facebook. Essa novidade tem potencial para mudar o futuro dos meios de pagamentos e é a primeira com capacidade para ser um meio real de troca. O grande trunfo do Facebook está na sua base de 2,3 bilhões de usuários, que representa um terço da população mundial.

Pensando na aplicação, vamos imaginar que um imigrante deseja enviar dinheiro para o seu país de origem. No modelo tradicional, ele pagará de 6% a 20% em taxas de câmbio e transferência, além de ser um processo demorado e burocrático. Com o Facebook, é só converter a moeda desejada para Libras e direcionar a quantia para qualquer lugar no mundo, por meio da ferramenta de Messenger - uma dinâmica rápida, fácil e segura.

Outro ponto positivo das moedas digitais é rastreabilidade de todo o processo, uma arma eficaz para combater a lavagem de dinheiro. As Nações Unidas estimaram que criminosos lucram anualmente em torno de 2 a 5% do PIB global, algo em US$ 1,6 e US$4 trilhões, uma vez que no sistema financeiro tradicional, é mais fácil ocultar a origem e o destino dos valores. As transações deixam um lastro imutável, um registro protegido por criptografia que dificulta as ações fraudulentas.

A tendência está cada vez mais forte e até o G7, grupo dos países mais industrializados do mundo, formou uma força-tarefa para tratar de questões relacionadas às moedas digitais, em especial a Libra.

Porém, para ganhar escala, ainda existe uma série de desafios regulatórios para ser vencida, mesmo porque é uma tecnologia disruptiva, que questiona os princípios de um sistema monetário centralizado. O cenário é promissor e, contanto que possa provar seu real valor, pelo menos uma moeda virtual recém-lançada decolará em 2020.

Artigo escrito por Daniel Peralles, diretor de engenharia de produto da Sage Brasil

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