O momento é de cautela, mas sem histeria. Embora esteja todo mundo preocupado com a questão da saúde em si, as consequências de uma histeria coletiva causadas pelo conjunto formado pelo alarde e pela desinformação poderão trazer consequências para aqueles que não forem resilientes, pensem ou tentem caminhos alternativos desde já

Temos que todos nós buscarmos nos tornar porta-vozes da sensatez nesse momento, principalmente se você é empresário e tem colaboradores que dependem do bom andamento de seu negócio.

Falando de varejo, que é meu mercado, o vírus pode sim comprometer algumas operações. Muita gente tem mercadorias dependentes de importação, de países afetados, principalmente China. Pode ser roupas, acessórios, ou até mesmo componentes necessários para a fabricação de produtos eletroeletrônicos.

A crise fez com que a produção de quase tudo parasse por lá, com o medo de sair de casa. Com produção parada por lá, a consequência é uma só:

Se falta gente, falta produção

Se falta produção, falta produto.

Se falta produto, não tem exportação.

Se não tem exportação, não tem importação por aqui.

Se não tem importação, falta produto na loja.

Se falta produto na loja, não vende.

Se não vende, o varejo demite.

Se o varejo demite, aumenta o desemprego.

Se aumenta o desemprego, falta dinheiro circulando na praça.

Se falta dinheiro, a indústria também deixa também de vender.

Se a indústria deixa de produzir, também deixa de vender.

Se a indústria deixa de produzir, começa a demitir.

E a partir daí tudo vai acontecendo em efeito cascata, no que eu costumo chamar de espiral negativa.

A verdade é uma só. Prepare-se!

Se você é fornecedor ou indústria, a falta de produtos a serem importados, pode até mesmo fortalecer alguns fornecedores nacionais que souberem aproveitar a oportunidade para vender para quem não está preparado, com produtos e preços adequados. Mesmo que o varejista precise diminuir sua margem, é melhor perder um pouco do que perder o todo, do que não ter o que vender.

Se você é varejista, a questão é saber oferecer serviços que possam ajudar o seu cliente nesse momento. Que tal uma entrega diferenciada, ou um atendimento por um novo canal, uma vez que poderá haver menos clientes indo fisicamente em sua loja? Talvez seja a hora de apostar em seu canal digital de uma vez por todas. Quem já está bem consolidado no canal digital, ou já tem uma estratégia sólida de entregas ou delivery pode ser beneficiado por conta do novo cenário.

Se você é pequeno, e pensa que a conversa não é para você, pois trabalha na rua, ou de forma informal, pense que pode faltar gente na rua. Menos gente significa menos vendas, e você pode ser tão afetado pela espiral negativa quanto todos os outros.

Percebam que para tudo o que eu coloquei lá em cima, eu coloquei um “SE” antes, pois tudo se trata de hipótese. Cabe a nós as decisões que podem nos levar a guiarmos por um melhor caminho, ou sermos guiados pelas consequências.

Nessa crise, tem quem espirra, tem quem venderá lenços.

É hora de sensatez, e de buscar caminhos e oportunidades.

Um grande abraço,

Caio Camargo | Editor | falandodevarejo.com