Ficar inadimplente não é o desejo de ninguém, não é mesmo?  Apesar disso, de vez em quando acabamos metendo os pés pelas mãos e tomamos atitudes sem pensar. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em 2019 o número de brasileiros inadimplentes e com o CPF negativado chegou ao alarmante número de 65,3% da população.

Aquele empréstimo, por exemplo, no qual o valor total é praticamente o dobro do que realmente foi utilizado e que as parcelas com valores elevados acabam gerando  dificuldade em cumprir com o pagamento em dia. Situações como esta são mais comuns do que imaginamos e certamente contribuem para o aumento desse indicador.

Existem muitas pessoas em situação de endividamento excessivo. Pessoas que, por algum motivo, ao recorrerem as linhas de crédito perderam o controle e, com o passar do tempo, absorveram compromissos que extrapolaram o orçamento doméstico. O endividamento em si não é necessariamente algo ruim. Às vezes, será necessário adquirir algum tipo de financiamento com o objetivo de realizar determinados sonhos. O problema está em um endividamento excessivo que ultrapassa o limite de capacidade de pagamento, ocasionando assim a inadimplência.

Para sair dessa situação o primeiro passo é saber em detalhes como está a vida financeira nesse momento: Quanto está devendo? Quanto ganha por mês? Quais são suas despesas fixas e variáveis? É importante ter essas informações bem claras para saber o quanto de dinheiro poderá ser utilizado por mês antes de renegociar as dívidas. O segundo passo é estabelecer as prioridades de pagamento, ou seja, definir quais dívidas deverão ser eliminadas primeiro. Vale lembrar que não se trata de compromissos fixos com despesas essenciais, como aluguel ou prestação do imóvel, energia, água, condomínio, alimentação e transporte. O foco aqui é liquidar as dívidas que podem vir a estrangular o orçamento e fazer com que a maior parte da renda seja direcionada para quitá-las. O último passo é a renegociação. Nesse momento, é importante avaliar o custo efetivo total da dívida, composto pela taxa de juros e encargos. Quanto mais alto for, maior deverá ser o esforço para quitá-la. É importante conversar com a instituição financeira e fazer uma proposta que seja viável e coerente para os dois lados, tendo certeza de sua capacidade de pagamento. Com atitude e planejamento é possível deixar “a casa em ordem” outra vez.

Artigo escrito por Luan Correia, Analista de Educação Financeira na Unicred SC/PR