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Desafios dos administradores de shopping center na retomada das atividades


A pandemia causada pelo novo coronavírus impactou de forma severa todas as áreas da economia e não foi diferente para os shopping centers, que tiveram suas portas fechadas e viram suas receitas caírem praticamente a zero a partir de março.

Quase todos os shoppings pararam de cobrar aluguel e FPP (fundo de promoção e propaganda), além de reduzirem as taxas de condomínio em 50%. A perda foi ainda pior para os lojistas, que viram as vendas caírem drasticamente, à exceção das lojas-âncora ou megalojas que, com uma estrutura mais robusta e preparados para o mundo digital, asseguraram a manutenção de parte das receitas.

Segundo dados da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers), em 2019, o setor registrou alta de 7,9% nas vendas, com faturamento de mais de R$ 192 bilhões, e começou 2020 com perspectivas positivas. Com a mudança de cenário, a partir de março, a queda foi de 35,3%, e, em abril, de 89%. Em maio, com a reabertura em algumas localidades, a redução foi de 75,5%. 

Com isso, as administradoras de shoppings se viram obrigadas a reduzir seus custos, negociando com fornecedores, eliminando alguns serviços e, em especial, diminuindo a folha de pagamento, dispensando profissionais. No entanto, algumas recorreram à MP 927/2020, que estabelece medidas trabalhistas que poderiam ser adotadas pelos empregadores para a preservação do emprego e da renda e para o enfrentamento do estado de calamidade pública e da emergência de saúde pública de importância internacional, decorrente do coronavírus, proporcionando menor carga horária de trabalho para o time.

No entanto, essa redução da força de trabalho nas administrações dos shoppings (cerca de 30% nos nossos clientes) não aconteceu de forma proporcional à redução de trabalho. Boa parte dos serviços, especialmente para o administrativo, continuou a ser executado normalmente. Faturamento, cobrança, contabilidade, contas a pagar, folha, entre outros, permaneceram com suas rotinas inalteradas, ou melhor, até oneradas em função de novos processos. Houve trabalho adicional na renegociação e geração de acordos com centenas de lojistas em cada shopping, mudanças significativas na folha em função da MP 927/2020 e replanejamento do orçamento, para lembrar apenas de alguns.

Em razão dessa desproporção, os gerentes e superintendentes estão procurando otimizar em seus processos, de forma a fazer as atividades com mais eficiência e utilizando o recurso da automação, muitas vezes baseada em abordagens de Inteligência Artificial. A chave aqui é o redesenho de processos. É interessante notar que esse movimento tem trazido um benefício expressivo para os profissionais que participam dessa nova jornada, que têm aumentado suas habilidades, para fazer cada vez mais, e de forma inovadora, ao aprenderem novas técnicas e metodologias, além de usarem tecnologias de ponta.

Com planejamento, adaptação de espaços, negociações e muito protocolo para a segurança de todo os profissionais, até o início de agosto, mais de 540 empreendimentos haviam retornado às atividades, o que representa 93% do total. 

No entanto, ainda diante deste cenário incerto, os shoppings têm buscando se reinventar, partindo para novas frentes como alternativas para a retomada financeira. Uma das saídas é o investimento em iniciativas digitais, que são um caminho sem volta, pois mesmo  com a flexibilização, o tráfego físico não voltará ao normal por um tempo indeterminado. Para buscar receitas, os shoppings estão apostando no atendimento online, com a adoção de marketplaces próprios, e usando o recurso da loja online para dispor um ambiente único aos varejistas das suas redes. 

Com isso, existem desafios clássicos de integrar o estoque com as plataformas digitais, endereçar o assunto logística e criar um modelo ganha-ganha para lojistas e shoppings, mas, certamente, estes e outros problemas serão vencidos em breve. Um cuidado que os shoppings precisam ter nesses projetos é preservar para si os dados gerados pelos tráfegos nas suas plataformas, visto que é um ativo fundamental para a continuidade dos negócios. 

Com isso, o empreendimento pode se tornar mais do que um locatário de espaços físicos para lojas, tornando-se um hub de negócios, seja para vendas ou para otimizar a relação com os consumidores, que precisam de um ponto estratégico para retirar os produtos, por exemplo.

Artigo escrito por Leonardo Hermeto, Head da Unidade de Negócio Shopping da Group Software, empresa de 25 anos, líder em desenvolvimento de sistemas para Condomínios, Imobiliárias e Shoppings 

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