Fórum Negócios da Moda, promovido nesta terça-feira (28) pela FecomercioSP e pelo Estadão, teve debate sobre entraves e soluções para o setor; encontro reuniu 555 participantes

Responsável pela geração de 8 milhões de empregos, diretos e indiretos, e com uma cadeia produtiva que movimenta US$ 50 milhões por ano no País, o mercado da moda no Brasil precisa de estímulos, principalmente do governo, para aumentar a produtividade e a competitividade.

O assunto foi debatido hoje no Fórum Negócios da Moda, promovido pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) em parceria com o jornal O Estado de S. Paulo. Com apoio do Senac, Abit, Abest, Lojas Renner e Belas Artes, o evento reuniu empresários e especialistas para discutir os obstáculos, as estratégias e o futuro do setor no Brasil.

"O Estado deveria estimular novas formas de resolução de conflitos entre empregadores e trabalhadores, pois, hoje, as empresas não podem criar mecanismos de negociação coletiva", sugeriu o membro do Conselho de Relações do Trabalho da FecomercioSP, Paulo Delgado.

O presidente do Conselho de Administração da Abit, Rafael Cervone Netto, concordou que as amarras trabalhistas e tributárias são os principais entraves para alavancar o mercado nacional. "O setor está em todos os Estados da Federação, mas a Abit se preocupa porque há muito tempo não se via um momento tão hostil para os negócios", disse.

"A moda não é mais um segmento de estética e design, mas um setor da cadeia produtiva que movimenta milhares de empregos, tecnologias e fornecedores, sendo uma cadeia muito rica", destacou, na abertura, o diretor de conteúdo do Estadão, Ricardo Gandour.

Legislação ambiental e carga tributária também foram pontos debatidos no evento, que contou, ainda, com a participação do CEO da Riachuelo, Flávio Rocha. O executivo sugere otimizar regulações e normas que incidem sobre a atividade. "O atual modelo não será sustentável no longo prazo. As reformas que têm sido feitas só levam a frustrações", criticou.

A tecnologia da matéria-prima também foi citada como obstáculo para a moda brasileira se destacar ainda mais, considerando que, muitas vezes, é necessário importar material mais desenvolvido para criar peças inovadoras. O assunto foi abordado pelo presidente da Abest, Roberto Davidowickz.

Brasil no cenário internacional

Segundo pesquisa realizada em 2012 pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), para 16 mercados internacionais, o mundo vê o Brasil por meio de atributos como alegria e a beleza dos recursos naturais e da população. "São atributos sólidos e positivos, mas queremos fortalecer o nosso posicionamento por meio da imagem de um país tecnológico, sustentável, comprometido e criativo", pontuou a analista de Negócios Internacionais da Apex Brasil, Isabel Tarrisse da Fontoura.

Patricia Bonaldi, que iniciou a internacionalização em 2010, destacou que é preciso perseverança e empenho no desenvolvimento de produtos com elementos que os diferenciem do que já é ofertado. "Exportar é muito competitivo, mas é necessário algo que saia do comum para atrair o cliente", disse a estilista.

O responsável pela Paquetá The Shoe Company, Gerson Vaccari, comentou sobre a evolução das exportações da companhia, que iniciou na década de 1970 e hoje soma 35 lojas fora do Brasil - uma delas no Dubai Mall, em Dubai, o maior shopping do mundo. A marca própria Dumond faz sucesso no exterior por possuir itens ligados à imagem do Brasil, como a alegria (presente nas cores) e a sensualidade (que pode ser vista nas curvas dos produtos). Ele ainda relatou a importância de participar de feiras fora do País, pois abrem portas, apesar de ser um processo contínuo.

A competição com o mercado asiático, especialmente a China, foi comentada pelos especialistas. Segundo Isabel, da Apex, o mercado chinês deve ser visto como oportunidade para as empresas brasileiras e não apenas como concorrente porque é um mercado que também consome muito, apresentando um grande potencial de vendas para as marcas brasileiras.

Competitividade e mercado de trabalho

"Fora da legalidade não há competitividade sustentável. Não concordamos com a ilegalidade, mas também não concordamos com a rotulação de um setor inteiro". A crítica é do diretor-superintendente da Abit, Fernando Pimentel. Para ele, no entanto, a situação não é generalizada no setor e, para combatê-la, é necessário um esforço do governo.

A representante do Ministério Público, Fernanda Domingos, comentou sobre a atuação de diversos órgãos do Estado no combate às condições precárias de trabalho, que reforçaram a investigação também em grandes marcas de moda. "Há ainda uma atuação muito forte para impedir a concorrência desleal", citou, indicando a prática de reduzir custos da produção com contratação de mão de obra barata, sem direitos trabalhistas, como maneira de lucrar mais. A estratégia, no entanto, além de prejudicar os trabalhadores, cria um ambiente selvagem para os negócios.

"A inovação precisa ser relevante e ter valor para a comunidade", observou o vice-presidente da C&A no Brasil, Paulo Correa, destaque de um dos painéis. O executivo comentou sobre as estratégias para ampliar a presença da marca e proporcionar uma experiência diferenciada ao cliente: a parceria entre duas marcas - o co-branding - e a inclusão das particularidades regionais do País no desenvolvimento de coleções. Por meio da C&A Collection, a companhia ofertou peças desenvolvidas em parceria com vários estilistas. A ideia é "trazer o melhor do design com um preço que só uma grande rede varejista consegue fazer".

Outro exemplo de inovação brasileira de destaque no mercado é a marca da empresária e estilista Martha Medeiros, que usa como base de suas roupas a renda produzida no Nordeste do Brasil. Martha relatou que hoje trabalha com 400 rendeiras de três Estados. "O principal para o comércio de moda é ser fiel ao seu estilo", recomendou.

As mídias sociais são, hoje, ferramentas relevantes para ampliar o mercado de moda brasileiro. Prova disso é a plataforma FHits, desenvolvida pela empresária Alice Ferraz, que reúne diversos blogues de moda. Segundo Alice, as marcas precisam ampliar os pontos de contato com o consumidor, com o objetivo de conseguir estar sempre presente na sua vida e conquistar sua confiança.

O encontro aconteceu na manhã desta terça-feira (28) e reuniu 555 participantes, entre empresários, estudantes e profissionais do setor.

Sobre a FecomercioSP

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) é a principal entidade sindical paulista dos setores de comércio e serviços. Congrega 155 sindicatos patronais e administra, no Estado, o Serviço Social do Comércio (Sesc) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). A Entidade representa um segmento da economia que mobiliza mais de 1,8 milhão de atividades empresariais de todos os portes. Esse universo responde por 11% do PIB paulista - aproximadamente 4% do PIB brasileiro - e gera cerca de cinco milhões de empregos.
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