A despeito do cenário instável, o setor faturou 10,1% mais em 2014, enquanto a atividade varejista subiu 8,9%

A despeito do cenário de incerteza que permeou 2014, a indústria de shopping center teve desempenho acima do registrado pelo varejo tradicional e do que se espera para o Produto Interno Bruto (PIB). O setor cresceu 10,1% em termos nominais na comparação com 2013, atingindo R$ 142,27 bilhões. O varejo tradicional, por sua vez, teve crescimento de 8,9%, nos 12 meses encerrados em novembro.

“O ano passado foi muito complexo, permeado de eventos que frustraram as expectativas: menos dias úteis, instabilidade na área econômica e política, pressão inflacionária — todos fatores desafiadores. Apesar disso, o setor mostrou sua resiliência, mantendo o ritmo de expansão de anos anteriores”, disse ontem o presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), Glauco Humai, durante divulgação de dados.

Ainda assim, ele reconheceu que o setor não é uma “ilha” e sofre os mesmo efeitos que o varejo tradicional está sujeito. “Acredito que o descolamento do desempenho entre o varejo de shopping e o tradicional é o modelo de negócio: os shoppings oferecem num único local lojas, serviços, alimentação e entretenimento e um setor compensa o outro. Pode ser que em determinado período as vendas de sapato não sejam tão boas, por exemplo, mas a de alimentação compensa e assim com todos os segmentos do mix”, avaliou.

Esses são os motivos também, segundo a superintendente da associação, Adriana Colloca, para a projeção de expansão de 8,5% nas vendas neste ano, a despeito do cenário de retração. “Teremos a partir de agora a maturação dos empreendimentos abertos em 2013, quando o setor alcançou o recorde de 38 inaugurações, o que trará no mínimo um crescimento orgânico para o setor”, afirmou.
A indústria de shopping terminou 2014 com 520 empreendimentos, sendo 24 inaugurações, totalizando 13,8 milhões de metros quadrados de Área Bruta locável (ABL) e vacância média de 2,8% — a menor na história do setor.

Dos 24 centros de compras inaugurados no ano passado, apenas seis ocorreram nas capitais, confirmando a tendência de interiorização do setor. Pela primeira vez na história da indústria, o percentual de shoppings inaugurados fora das capitais é maior que o de shoppings nas capitais. Pela primeira vez também, a concentração de shoppings nas capitais (49%) é menor do que em outras cidades (51%).

Para 2015, a Abrasce acredita na manutenção do ritmo de expansões e inaugurações no setor, que prevê a abertura de mais 26 shoppings até o fim do ano, 16 deles em cidades que não são capitais. A estimativa de investimento total nesses projetos, incluindo novos shoppings e expansões, é de R$ 16 bilhões, sendo que 48% estarão concentrados na região Sudeste. O Nordeste ocupa o segundo lugar, com 24% dos investimentos, seguido pelas regiões Norte (16%), Sul (7%) e Centro-Oeste (5%).
Neste ano, 12 cidades receberão seu primeiro shopping, de forma que, até o fim de 2015, 58% dos empreendimentos estarão concentrados fora das capitais. “Sabemos que este será um ano de reestruturação macroeconômica. Mas os lançamentos previstos para este ano demonstram a confiança do empreendedor no setor.”

Falta de água e energia não preocupam

Nem mesmo a possibilidade de racionamento de água e energia nos próximos meses são motivos de grandes preocupações para a Abrasce. O presidente da associação, inclusive, descartou o risco de grandes impactos nos custos operacionais e no horário de funcionamento dos shoppings.
Segundo Hama, desde o apagão de 2001 — quando foi imposto o racionamento de energia em todo o país — os empreendedores adotaram medidas para reduzir o consumo de água e energia e assim, o impactos nos custos.

“Os empreendedores investiram em tecnologia para minimizar custos e riscos, adotando recursos de captação de água de chuva e tratamento de esgoto para reúso, por exemplo”, explicou Hama. No caso da energia elétrica, o executivo afirmou que é comum a utilização de geradores próprios e captação de energia solar.


Fonte: Brasil Economico
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