O Cash&Carry, popularmente conhecido como “Atacarejo” – uma palavra criada para nomear a mistura de atacado com varejo - vem ganhando cada vez mais força no setor supermercadista. Segundo a Nielsen, especialista em pesquisa de mercado, as vendas desse formato de aquisição de produtos tiveram, ao longo do primeiro semestre de 2014, um crescimento de 9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Enquanto os supermercados atingiram uma alta de 1,7% nas vendas e os hipermercados cerca de apenas 1%, a modalidade atacarejo praticada em estabelecimentos de comércio atacadista fechou os primeiros meses de 2014 com 3,2% de aumento, encerrando o semestre com uma receita de R$ 34 bilhões.

Para Clóvis Ferratoni, coordenador do curso superior de Tecnologia em Gestão Comercial do Centro Universitário Senac – Santo Amaro, o crescimento pela procura do atacarejo se deve, principalmente, à economia gerada por ele. “Levando em consideração o preço unitário dos produtos, uma cesta com cerca 10 itens básicos da mesma marca, incluindo materiais de limpeza e alimentos não perecíveis, sai, em média, 51% mais barata no estabelecimento que vende em quantidade”, conta.
De acordo com o professor, os números não só mostram que o atacarejo cresce a cada dia dentro deste setor, como ainda se reformula para receber um consumidor final mais exigente do que o do atacado convencional. “Embora não sejam luxuosos, esses estabelecimentos são muito eficazes do ponto de vista logístico e operacional, além de possibilitarem, principalmente, considerável economia nas compras”, afirma Ferratoni.

Segundo Ferratoni, o grande segredo para obter uma economia real, até mesmo em itens com mais impacto de custo, como carnes e embutidos, é formar grupos de compras com familiares e/ou amigos e, posteriormente, dividir as mercadorias. Outra opção é comprar em grande quantidade e estocar. “O consumidor final não precisa abrir mão dos produtos e marcas que mais gosta, como seu chocolate ou xampu preferidos. Apenas passará a comprá-los por meio de um formato diferente”, explica.

Ele ainda faz um alerta, “por mais que os atacarejos sejam lojas bem organizadas, elas foram criadas para atender, inicialmente, a outro tipo de público. É necessário aprender a comprar como um comerciante, por isso, antes de optar por esse formato de compras, avalie se ele atende ao seu perfil”. O professor Ferratoni elenca algumas dicas importantes sobre o tema:

Inicialmente, é necessário que seja criado um pequeno clube de compras composto por familiares, amigos ou vizinhos;

Depois é preciso fazer uma lista que atenda a pelo menos 75% das necessidades dos envolvidos, definindo as marcas preferidas e substitutas;

Feitas as compras, é hora de ratear o pagamento e dividir os itens em um local onde todos tenham acesso, como o salão de festas do condomínio, por exemplo;

É importante também selar um bom relacionamento com o gerente do atacarejo. Sabendo que o grupo irá nos meses seguintes, ele poderá indicar as melhores ofertas;

Vale ressaltar que neste formato de compras, o consumidor irá encontrar as mesmas marcas dos supermercados e hipermercados convencionais, porém, mais baratas.

Segundo a Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados - ABAD, o setor, anteriormente considerado tradicional e conservador, vem experimentando mudanças com a entrada de marcas tradicionais. Atualmente, temos grandes atacarejos espalhados pelo país. Esta tendência também pode ser observada em outros níveis socioeconômicos, como no setor do vestuário
Agosto/2015
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