por Rafael de Tarso Schroeder*

A crise brasileira é o assunto mais recorrente nas rodas de conversa ultimamente. No meio corporativo, um velho ditado diz que em momentos como este, também surgem novas oportunidades. Na prática, milhares de empreendedores e empresários perdem o sono com questões como: será que consigo inovar com recursos escassos? Como se sobressair diante da concorrência sem apelar para a velha estratégia da guerra de preços? Neste cenário de incertezas, o empresário precisa entender três pontos quando se depara com questões como estas: o cliente, o contexto e a forma como conduz o seu negócio.

O primeiro passo para repensar o modelo de negócio é criar processos, canais e equipes transversais que sejam capazes de entender o perfil e as condições momentâneas do seu cliente e rapidamente; adaptar produtos, serviços e ofertas para a nova realidade. Isso, sem abrir mão dos elementos que sustentam os princípios da marca. Algumas empresas, por estarem há mais tempo no mercado, preferem adotar modelos tradicionais, afinal de contas, a fórmula funcionou até aqui. Porém, ao olharmos para os negócios que mais crescem nos períodos de crise, são justamente aqueles capazes de se reinventar. E não necessariamente o fazem investindo muito dinheiro, mas tempo, estratégia e equipes com focos determinados.

Um aspecto que vem influenciando a inovação nas organizações é o que os especialistas definem como Transformação Digital. Dentre outros fatores, o uso de novas tecnologias e da internet modificaram a forma como produzimos, consumimos e nos relacionamos. Os negócios passam a ser negócios digitais, e é, portanto, nesse ambiente que surgem novas ideias. Vale ressaltar que apenas ter uma página online ou alguns canais em redes sociais não significa que a empresa está, de fato, extraindo as oportunidades deste novo contexto. É um trabalho ativo de relacionamento com este consumidor que hoje faz uma busca profunda e constante para saber mais sobre o produto que pretende adquirir, estreita laços com a empresa, questiona, reclama, elogia, e um descuido pode acabar com qualquer reputação e a credibilidade.

Outra questão é que além do produto, o consumidor exige qualidade em toda a experiência envolvida. Desde o processo e facilidade de compra, o atendimento, formas de pagamento, manutenção e até a facilidade de acesso aos canais e plataformas. Em todos esses processos a empresa pode adotar iniciativas que reduzam o custo durante os períodos econômicos mais difíceis, mas de maneira coordenada proporcionem ao cliente uma boa relação custo-benefício.

Para qualquer organização, inovar significa correr riscos para se obter melhores resultados. Cabe a cada líder e equipe definir o quanto estão dispostos a correr na busca pela sobrevivência. Não existe uma fórmula mágica, mas uma regra simples é que ao definir possibilidades de inovação para a sua organização, selecione alguns critérios alinhados a sua realidade (custo, tempo, competências internas e tempo de retorno) e as ideias mais simples e baratas, faça agora. Aquelas complexas ou de retorno em longo prazo, procure parceiros, fontes de financiamento, ou seja, não corra os riscos sozinho.

Além de repensar a comercialização e novos produtos, é fundamental que o empresário olhe para dentro do seu empreendimento. A inovação nasce de uma cultura voltada para a inovatividade. O que significa criar as condições para que a criatividade e a inovação floresçam. Estas questões passam pelos estímulos, processos, pelo espaço físico e até as regras não declaradas do jogo. Será que que hoje a sua empresa cria condições e prepara as pessoas para testarem novas ideias? Ou as relações são baseadas apenas no medo de errar, na insegurança e sem um suporte para desenvolver as competências necessárias?

Se você optou por inovar, saiba que este é um caminho apaixonante e sem volta, portanto, seguem alguns pontos que podem ajudá-lo nesse processo, principalmente em momentos de crise.

1. Liderar consciente: O empresário precisa adotar uma postura de condutor do processo de inovação na empresa, estabelecer uma visão e apoiar iniciativas, delegar equipes dedicadas e definir a inovação como um tema estratégico.

2. Definir uma Estratégia: Analisar o contexto da crise e correlacionar com os maiores desafios da organização, definindo objetivos, planos e ações.

3. Identificar facilitadores e multiplicadores: Em todas as empresas existem inovações ou boas práticas. Mapear, reconhecer e empoderar os inovadores, tenha certeza que outros seguirão.

4. Estimular a cultura de inovação: Criar regras, ambientes e preparar as pessoas para tornarem a criatividade e a inovação um hábito.

5. Tirar as ideias do papel: Não adianta planejar e não executar. Coloque as ideias em prática, teste rápido. Erre e melhore fazendo.

6. Articular redes de inovação: A inovação pode vir de fora da empresa. A inovação aberta pode acontecer com fornecedores, universidades e até concorrentes.

7. Insista apesar das adversidades: Inovação é determinação. Se um caminho não funcionar, mude.

8. Enfrente a Crise: É exatamente aí que surgem as oportunidades, principalmente em um cenário incerto econômica e politicamente. Inovar é correr riscos e pequenas alterações podem promover grandes impactos.

(*)Rafael de Tarso Schroeder é especialista em Sustentabilidade, empreendedorismo e inovação, e atua como professor do Instituto Superior de Administração e Economia (ISAE), de Curitiba (PR)
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