Depois de dois meses de melhora na confiança, indicador apresenta nível abaixo de 50 pontos, refletindo pessimismo o com a economia. 64% estão confiantes em relação a seus negócios para os próximos meses


Depois de dois meses seguidos acima de 50,0 pontos, demostrando maior confiança na economia, o Indicador de Confiança dos micro e pequenos empresários de varejo e serviços (MPEs) calculado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) voltou a recuar. Na comparação entre novembro e dezembro deste ano, o indicador passou de 50,2 pontos para 48,9 pontos, em uma escala que varia de zero a 100. Quanto mais próximo de 100, mais otimistas estão os empresários e quanto mais próximo de zero, menos confiantes eles estão. Na variação anual com dezembro do ano passado, o dado saltou de 40,0 pontos para os atuais 48,9 pontos.

Para o presidente da CNDL, Honório Pinheiro, a confiança dos empresários é um indicador muito importante a ser analisado no momento atual, por ser um componente essencial para a retomada econômica. “A confiança ainda está longe de ser satisfatória e parece não encorajar o investimento, como apontam outros indicadores. É ela que pode induzir o investimento por parte das empresas, gerando empregos e estimulando o consumo, hoje em baixa por causa da recessão. No entanto, a consolidação da melhora da confiança dos empresários depende de cenários que ainda são fontes de incertezas: novas instabilidades políticas, avanço das reformas debatidas no Congresso e um ambiente externo favorável”, avalia Pinheiro.

O Indicador de Confiança do SPC Brasil e da CNDL é baseado nas avaliações dos micro e pequenos empresários sobre as condições gerais da economia brasileira e também sobre o ambiente de negócios, além das expectativas para os próximos seis meses tanto para a economia quanto para suas empresas.

Para 66% dos MPEs economia piorou nos últimos meses

O subindicador de Condições Gerais teve um leve avanço em dezembro ante o mês anterior, passando de 30,8 pontos para 32,8, mas permaneceu abaixo do nível neutro de 50 pontos. Na comparação anual, entre dezembro e o mesmo mês de 2015, o indicador saltou de 26,3 pontos para 32,8 pontos na escala.

A avaliação da economia é o pior de todos os componentes que integram o Indicador. Em termos percentuais, 66,2% dos micro e pequenos empresários acreditam que a situação da economia piorou nos últimos três meses e 53,9% consideram que a situação do seu próprio negócio passou a enfrentar dificuldades neste mesmo período considerado, sendo o principal motivo mencionado a queda das vendas devido a crise econômica (69,8%).

“A melhora do desempenho da economia deverá ser gradual. Se confirmada a continuidade do processo de queda das taxas de juros, o recuo da inflação e o avanço de medidas importantes no Congresso, a confiança dos empresários pode aumentar e engajar o investimento, abrindo um novo ciclo de crescimento positivo da economia”, afirma Pinheiro.

Mesmo diante de um retrospecto ruim, tanto da economia quanto dos negócios, as expectativas para o futuro apontam para uma melhora. Em dezembro, o subindicador de Expectativas alcançou 60,9 pontos,acima do resultado observado no mesmo mês do ano anterior, quando registrara 50,3 pontos, mas um pouco inferior a novembro, quando marcou 64,8 pontos.

Em termos percentuais, 63,9% dos micro e pequenos empresários se dizem confiantes no desempenho de seu negócio nos próximos seis meses e 46,5% manifestam confiança no desempenho da economia. Entre aqueles que manifestam otimismo com a economia, a maior parte, contudo, não sabe explicar suas razões (38,4%). Há também os que mencionam os sinais de melhora de alguns indicadores econômicos (25,8%), que dizem que o Brasil tem um amplo mercado consumidor (14,8%) e os que acreditam a crise política será resolvida (14,5%). Dentre os 21,9% que manifestam pessimismo com a situação econômica do país, as incertezas políticas são a razão mais citada para a falta de confiança (30,3%).

Já entre os que manifestam otimismo com o próprio negócio, novamente uma parcela expressiva (28,7%) não sabe explicar a razão de seu otimismo. Destacam-se também os 22,5% que dizem estar fazendo uma boa gestão do próprio negócio. “Os entrevistados têm controle de sua empresa, mas não podem controlar a economia. Assim, diante da adversidade, o empresariado tende a acreditar que pode promover ajustes para atenuar o impacto da crise”, afirma o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro.

A maioria relativa dos micro e pequenos empresários sondados (43,6%) acredita que o faturamento de suas empresas irá crescer nos próximos seis meses - já 41,6% não vê perspectivas de crescimento pelos próximos seis meses e apenas 10,4% projetam queda nas receitas durante esse intervalo.

Metodologia

O Indicador e suas aberturas mostram que houve melhora quando os pontos estiverem acima do nível neutro de 50 pontos. Quando o indicador vier abaixo de 50, indica que houve percepção de piora por parte dos empresários. A escala do indicador varia de zero a 100. Zero indica a situação limite em que todos os entrevistados consideram que as condições gerais da economia e dos negócios “pioraram muito”; 100 indica a situação limite em que todos os entrevistados consideram que as condições gerais “melhoraram muito”.

Baixe a íntegra do Indicador de Confiança MPE e a série histórica no link:
https://www.spcbrasil.org.br/imprensa/indices-economicos
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