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sexta-feira, 21 de abril de 2017

Como sobreviver na "era do apocalipse" do varejo

Há uma série de notícias especulando o “Apocalipse do Varejo”, evidenciando principalmente lá fora o fechamento de unidades de grandes redes como Macy’s, JCPenney, Sears, Kmart, Abercrombie & Fitch, Guess entre outros está alarmando como nunca o mercado.

No Brasil, além do cenário da crise, que por si só ainda traz estragos e fechamentos de lojas, também há uma presença cada vez mais forte, perigosa e presente no mercado, com players como Netshoes, Dafiti entre outros.


Será que a conta finalmente chegou? Será que de fato o varejo está passando por uma revolução, onde há necessidade de mudança, ou será que está sendo substituído por uma falta de competências necessárias ou desejáveis aos novos consumidores?

Eu não vejo como uma revolução e sim como uma evolução. Não acredito em um número menor de lojas físicas no futuro próximo. Não é algo que o consumidor de fato queira.

Ainda há um grande prazer para muita gente em andar por calçadões ou corredores de lojas, e principalmente comprar e consumir estando ou visitando fisicamente esses locais. É óbvio que questões como trânsito, segurança e qualidade de vida influem nesse comportamento, mas não de forma a extingui-lo ou forçarem uma redução drástica nesse formato.

O consumidor quer apenas comprar no canal que seja mais vantajoso ou conveniente de acordo com a compra ou seu o momento de compra. Uma compra mais urgente não demanda necessariamente de uma busca sempre pelo menor preço, assim como uma compra mais programada não necessita de uma logística tão pesada para a entrega, onde o consumidor aceita esperar um pouco mais se a compra de fato oferecer um bom custo x benefício, ou melhor ainda, uma grande oportunidade.

Será que a tecnologia, como passo evolutivo é a única responsável pela transformação na maneira de consumirmos? Eu acredito que o ponto de virada não está na tecnologia em si, mas o que ela alterou de fato, que é a possibilidade de conveniência no momento de compra. Para mim, quem manda no jogo é a logística.

Veja como exemplo: comprar um televisor ou qualquer eletroeletrônico, por exemplo, e para a maioria das pessoas, ainda é mais vantajoso no varejo físico pois você leva o produto na hora. Nos principais sites leva de 1 a 2 semanas para se receber o mesmo produto.

Alguns produtos como moda, calçados e até mesmo alimentos não industrializados, talvez haja sempre “uma primeira compra” no varejo físico pois o brasileiro é sinestésico, ou seja, quer experimentar, pegar, tocar, para saber se o produto de fato é bom ou lhe serve adequadamente.

Talvez por sorte, a indústria de moda ou calçados por exemplo, ainda não tem uma padronização de tamanhos definida. Isso poderia prejudicar mais ainda os canais físicos de vendas.

Se não fosse por conta dessa barreira, ou obstáculo nos casos acima descritos, se pensarmos em um produto industrializado ou produzido em escala, o que leva alguém a decidir entre o canal eletrônico ou físico, é a relação entre preço e logística.

Quanto o consumidor pode esperar? Esperar para receber se o desconto for bom, vale a pena. Se estiver os mesmos preços nos dois canais, o que manda na escolha do consumidor é a logística e sua conveniência e talvez o varejo físico seja mais prático.

No caso do varejo americano, como citado no começo do artigo, o mérito do crescimento de uma Amazon sobre os demais concorrentes físicos não está somente na questão produto ou preço. Há anos a empresa investe fortemente em maneiras de melhorar sua logística e entrega, seja com centros de distribuição cada vez mais automatizados, ou apostando em entregas rápidas que vão de vans exclusivas à experiências com entregas via robôs ou drones. O gap de logística entre o virtual e o físico é cada vez menor e mais vantajoso para o lado deles.

A grande vantagem do varejo físico ainda está na experiência, algo que o online de maneira geral ainda está tentando entender como pode superá-la. Nesse sentido, ainda é cedo para saber se os chatbots vão conseguir melhorar a qualidade de atendimento.

No caso do varejo físico, a experiência de ambiente/atendimento do varejo físico, na minha opinião, é o que fará com que as lojas ainda continuem a perdurar. Quem não tem uma boa entrega desses features ao consumidor, terá dificuldades no futuro.

Quando comprar algo em algum mercado for tão prático ou rápido quanto pedir uma pizza em casa, só vão sobreviver as marcas que de fato tiverem experiências relevantes.

O apocalipse está aí, mas só irá permanecer vivo em seu mercado quem estiver preparado.

Um grande abraço e boas vendas

Caio Camargo é um incansável apaixonado por tudo que possa estar ligado ao mundo do varejo e ao futuro deste. Arquiteto, blogueiro, palestrante, professor, executivo, anjo-investidor e empreendedor, criou um dos principais sites sobre o varejo brasileiro, o Falando de Varejo, no ar desde Julho de 2008. Com mais de 6 milhões de leitores e dezenas de milhares de seguidores nas principais redes sociais, é uma das principais referências do mercado quando se trata de vender mais e melhor. É Diretor de Relações Institucionais da Virtual Gate e co-fundador do Hubprovarejo. É autor do livro Arroz, Feijão & Varejo, disponível nas principais livrarias do país.

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