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Supermercado médio atrai investidor externo

Enquanto Grupo Pão de Açúcar, Carrefour e Walmart disputam palmo a palmo as vendas na Região Nordeste, empresas menores, como o Grupo Giassi, do sul, são assediadas por grandes redes e por investidores estrangeiros, interessados em ampliar a participação com a aquisição de empresas que têm forte atuação em Santa Catarina e Paraná, onde a renda per capita é maior do que em outras localidades do País.

Para o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Sussumu Honda, as redes locais chamam a atenção de investidores por seu poder de penetração nas áreas onde atuam. De acordo com Sussumu, o fato de essas empresas já possuírem uma carteira de clientes pode garantir às grandes companhias o equilíbrio em mercados nos quais elas ainda não atuam, ou em que desejam ampliar participação. "Se pegarmos uma empresa de médio porte, ou mesmo uma pequena, no campo regional ela é grande e até maior que as redes de expressão nacional."

Em mercados fechados, como a Região Sul, é comum a sondagem de redes que buscam associar-se a empresas de expressão no mercado local, para penetrar onde a concorrência é bastante acirrada e o consumidor está acostumado com a regionalização e com lojas como Supermercados Giassi, Angeloni, Imperatriz e Bistek. Com dez lojas em Santa Catarina, e pronto para faturar R$ 805 milhões este ano, o empresário e presidente do Grupo Giassi, Zefiro Giassi, diz que é constantemente sondado por empresários de outros estados -e até por representantes de grupos estrangeiros- para vender os ativos de sua empresa. "Sempre aparece alguém querendo comprar, ou algum corretor do mercado tentando fazer uma proposta", afirmou.

Sem revelar o valor das propostas ou o nome dos proponentes, ele conta que as redes de maior expressão no estado têm atraído a atenção de pessoas interessadas em se instalar na Região Sul através da compra de lojas locais. "Toda empresa que ganha poder de negociação e que tem carteira de clientes vira alvo de outras redes", conta Zefiro, que afirma que não tem interesse em se desfazer dos ativos de sua companhia. "Nunca pensei em vender a empresa."

O presidente da Associação Catarinense de Supermercados (Acats), Adriano Manoel dos Santos, acredita que o mercado no sul gera oportunidades para os negócios, que acompanham a média nacional de faturamento. Santos, porém, evitou falar de fusões; disse que é um movimento normal do mercado e citou a aquisição da rede Sonae em 2005, pelo Walmart Brasil, braço da megavarejista norte-americana no País. "Fora esse caso, não tenho notícias de alguém vendendo."

Na época foram pagos 635 milhões de euros pelos ativos da supermercadista, acima dos 600 milhões previstos pelo mercado. Com a transação, o Walmart Brasil ficou com 37 hipermercados Big, 91 supermercados Mercadorama, 12 Maxxi Atacado, quatro centros de distribuição, três postos de gasolina, sete restaurantes e um frigorífico. No Paraná, 35 supermercados e um centro de distribuição, nove lojas Big, 24 supermercados Mercadorama e dois Maxxi Atacado.

Nordeste

Com o crescimento acelerado da economia nordestina nos últimos anos, e pelos resultados animadores das empresas locais, que crescem a taxas acima das do mercado, o interesse de investidores fica evidente na busca de marcas locais, que detêm a preferência do consumidor nordestino. No Ceará, por exemplo, as lojas da rede de supermercados Superfamília foram incorporadas pela Cencosud, empresa chilena que também controla a sergipana GBarbosa, considerada a quarta maior supermercadista do País pelo ranking da Abras.

Segundo o presidente da Federação das Associações do Comércio, Indústria e Agropecuária do Ceará (Faic), Francisco Barreto, o crescimento do mercado leva redes de fora a buscar parceria com empresas locais para chegar com maior facilidade ao consumidor final. "Muita gente diz que não vai vender, mas se a empresa chega com dinheiro eles vendem", diz. Barreto conta que a dificuldade em competir em preço baixo com a bandeira de "atacarejo" (atacado e varejo) das três principais varejistas -como Atacadão, Assaí e Maxxi, braços de Carrefour, Grupo Pão de Açúcar e Walmart, respectivamente- também dificulta a rentabilidade dos negócios das empresas que cedem às propostas de fusão. "É difícil competir com eles. Se você chega no interior, quando eles abrem uma loja abocanham 30% do mercado."

União

A rede Pinheiros, de Fortaleza (CE), é um exemplo de rede menor que, para competir com multinacionais, aposta na união do comércio local.

Honório Pinheiro, proprietário do Pinheiros Supermercados, se uniu à Super Rede, central de negócios de que fazem parte oito empresas do Ceará:o Supermercado Cometa, o Supermercado do Povo, o Compre Certo, o Frangolândia Supermercados, o Mercadinho São Luiz, o Polar e o Supermercado Lagoa; todas as lojas têm forte presença regional. Tendo registrado um faturamento de R$ 100 milhões no ano passado, Honório diz que espera obter crescimento de 40% em 2010, meta para a qual se prepara por meio da abertura de mais 2 lojas, que totalizarão 9 supermercados, na capital e no interior cearense.

Hoje, a rede Pinheiros conta com 1.100 funcionários e com uma central de distribuição. O proprietário afirma que a concorrência vem por parte das grandes redes, como Pão de Açúcar, Carrefour e Walmart. O empresário comenta que embora a disputa com as grandes redes seja árdua, ele rejeita fazer fusões.

Fonte: DCI

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