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Para se manter na rua e crescer, é preciso mudar com ela

Comerciantes que fizeram carreira na 25 de Março costumam dizer que é preciso acompanhar a "metamorfose da rua" para poder continuar nela. A vocação atacadista começou a se configurar no século passado, quando os lojistas dali faziam promoções para "desencalhar" mercadorias perdidas pelas enchentes constantes na região.

Na década de 50, sem asfalto, a 25 era dos tecidos, dos armarinhos, dos sírios e libaneses. Agora é também do varejo, de gregos, portugueses, coreanos e principalmente chineses. Lojas antigas, como a Tecidos Caldeiras e a Salim Daniel, tiveram de fechar as portas e migrar para o Brás por não terem conseguido mudar com a rua.

A Niazi Chohfi, que recentemente acrescentou o "imports" ao nome, é um exemplo contrário. Quando começou, tinha 100% de seu faturamento vindo dos tecidos. Hoje, eles representam 30% e dividem espaço com lingeries, cortina e artigos de cama, mesa e banho. Há um departamento na empresa responsável por fornecer lençóis e uniformes personalizados a hotéis e hospitais.

Com quatro lojas na região e 600 funcionários, a empresa não faz planos de expandir para fora da 25. Está crescendo para cima, ocupando andares que antes eram depósitos e dando às lojas uma cara de shopping, com escada rolante e até uma cafeteria.

"Queremos que os clientes passem o dia aqui", diz Solange Chohfi, uma das administradoras e nora do fundador Niazi Chohfi. "Temos produtos para a baixa renda e para a classe AA", garante.

Engana-se quem pensa que esse público não vai à 25 de Março. Consumidores das classes média e alta representaram no ano passado 48% das pessoas que fizeram compras por lá, segundo dados da TNS Research International, consultoria que estudou o comércio local. A estatística confere à região uma outra característica que ajuda a explicar o sucesso de tantas empresas nascidas ali. "Ela é democrática", diz o pesquisador de varejo da FGV, Edgard Barki.

Fonte: Estado de S.Paulo

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