quinta-feira, 28 de abril de 2011

A internacionalização do varejo brasileiro atrai novas marcas

Próxima de explorar o mercado no Brasil, a rede varejista americana do segmento supermercadista HEB, dona de atualmente 300 lojas nos Estados Unidos, deve enfocar em breve no público latino, ao ver com boas expectativas as vendas para os brasileiros. A empresa segue varejistas estrangeiras instaladas no Brasil, como as francesas Carrefour, Leroy Merlin e Casino (esta última, dona de boa parte do Grupo Pão de Açúcar), que despontam como líderes nos segmentos em que atuam, e cujo forte desempenho, visto em seus balanços, começa a atrair novas empresas de fora para o comércio no País. A tendência da internacionalização do varejo começou a acontecer com maior evidência há três anos, quando várias empresas e fundos vindos da Europa e dos EUA desembarcaram no Brasil devido à crise que abatia o seu país de origem. Segundo pesquisa realizada pela Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), de 2008 até hoje cerca de 50% das varejistas brasileiras listadas na bolsa de valores possuem boa parte de participação de fundos estrangeiros. De janeiro a dezembro do ano passado, a participação desses fundos aumentou em 17,2% em relação a 2009. Este ano, de fevereiro a janeiro, o número cresceu em dois pontos percentuais.

Para o coordenador e professor do MBA Empresarial da Faap, Mário Pascarelli Filho, este número tende a aumentar nos próximos anos devido à força do varejo no Brasil e ao fato de a crise continuar em países europeus. "Hoje o varejo representa cerca de 15% do nosso Produto Interno Brasileiro (PIB). Para investidores estrangeiros, o Brasil tornou-se o local com uma das rentabilidades mais altas para se investir", enfatiza. O professor ainda afirma que o interesse no "casamento" é recíproco, pois as empresas situadas aqui notaram esta como uma das formas mais rápidas e seguras de captação de recursos.















A próxima a entrar na roda e a receber fundos estrangeiros deve ser a varejista brasileira Magazine Luiza, que recentemente anunciou abertura de capital que deve movimentar até R$ 1,215 bilhão. A captação de recursos terminou ontem.

Segundo comunicado, a marca afirmou que os valores captados na oferta de ações serão utilizados na abertura de novas lojas, na aquisição de empresas do setor de varejo e de comércio eletrônico (e-commerce), e em investimentos em reformas de lojas, além de reforçar o capital de giro da empresa.

Shopping

No setor de centros de compras a presença estrangeira é ainda mais evidente. Segundo o ranking da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), os empreendimentos comerciais que mais devem se destacar este ano vão receber investimentos estrangeiros. Além disso, empresas internacionais, como BrMalls, Aliansce, Multiplan e Sonae Sierra , se destacam na abertura de 124 malls, o que deve movimentar no País cerca de R$ 6,331 bilhões até 2013.

Para o presidente da entidade, Nabil Sahyoun, além das empresas estrangeiras as nacionais do segmento têm se fortalecido por meio da abertura de capital para criar força e escala no mercado. "A abertura de capital e o boom do segmento varejista no País há alguns anos vem sendo regada por dinheiro estrangeiro.

Tornou-se algo comum para que se possa competir com as líderes do mercado e suprir a demanda de novo shoppings que o País possui."

Supermercado

Outro termômetro da força dos estrangeiros nos cofres das redes brasileiras é conferido no ranking da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), que aponta entre as quatro primeiras duas de origem estrangeira: o Carrefour e o Walmart. Vale lembrar, ainda, que o Pão de Açúcar é dominado pelo Casino, assim como a nordestina GBarbosa foi adquirida pela varejista chilena Cencosud. O peso dessas quatro redes é tamanho, que dos cerca de R$ 115,8 bilhões movimentados pelo setor ano passado, entre as 20 maiores do ramo, perto de R$ 90,5 bilhões são do "quarteto fantástico", com perdão do trocadilho. "Os números mostram a evolução do setor supermercadista brasileiro, que tem muito potencial de crescimento nos próximos anos", afirma o presidente da Abras, Sussumu Honda. A participação do setor no Produto Interno Bruto (PIB) se manteve tecnicamente estável, com 5,5% em 2010, contra 5,6% em 2009, deixando claro que outros setores produtivos do País crescem em ritmo similar ou superior ao do autosserviço, como é o caso do setor imobiliário e da construção. Em média, as vendas reais dos supermercados cresceram 7,62% ao ano, o que coloca o desempenho do autosserviço brasileiro perto dos desempenhos vistos pela economia chinesa, a que mais cresce no mundo.

O Brasil ocupa a 8ª posição no ranking global de oportunidades de investimento para empresas de varejo, e é o primeiro do mundo em atratividade no setor de vestuário, segundo a última pesquisa da consultoria americana A.T. Kearney. O levantamento existe desde 2003, mas o Brasil só conseguiu entrar na lista dos 30 países mais atraentes para investimento de varejo em 2005, ocupando o 29º lugar. Em 2009, o país estava na 9ª posição. Os 10 primeiros colocados do ranking em 2009 são Índia, Rússia, China, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Vietnã, Chile, Brasil, Eslovênia e Malásia. A Índia liderou a pesquisa porque com a crise global, os preços dos imóveis despencaram, tornando-se alvos de aquisição em um país com uma população consumidora bastante volumosa.

A Rússia oferece um varejo pouco moderno, sem a presença de grandes hipermercados e a China tem um mercado consumidor abundante, segundo a pesquisa.


Fonte: DCI
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