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Franquias: Quero repassar minha unidade. E agora?

por Arlan Roque

A decisão pelo repasse de uma unidade franqueada pode ocorrer por diversos motivos, mudança de cidade, ausência de identificação com o sistema de franquias, com a marca ou mesmo com o segmento escolhido e até mesmo o encerramento de um ciclo de trabalho, mas o que abordaremos hoje é o que fazer a partir da decisão de repassar a franquia.



A situação mais comum que me deparo é a seguinte: franqueados que me dizem: “quero vender minha unidade, mas meu franqueador não faz nada para que ela seja vendida” e em contrapartida, pelo franqueador, não é rara a seguinte situação: “repasse não é prioridade, temos que priorizar novas unidades”.

Pois bem, quando o franqueado decide que quer repassar a unidade franqueada, é importante ter plena consciência que não é obrigatoriedade da franqueadora realizar este repasse e nem é obrigação da franqueadora adquirir esta unidade. Via de regra, os contratos de franquia preveem que o franqueador terá preferência na compra e em casos cada vez mais raros, o contrato de franquia prevê a recompra pelo franqueador, mas normalmente esta situação é valida para os primeiros doze ou vinte e quatro meses a contar da inauguração da unidade e é muito mais uma ferramenta de atratividade da franquia do que demonstração da franqueadora no interesse em recompra vale também mencionar, que normalmente na condição de recompra prevista em contrato, o valor repassado ao franqueado é inferior ao valor que receberia se vendesse sua unidade para outro franqueado.

Claro que quando há a compreensão e trabalho conjunto para o repasse da unidade franqueada todos ganham. Neste sentido, você franqueado, quando decidir pelo repasse da unidade, a primeira coisa que sugiro fazer é uma reunião com sua franqueadora. Converse pessoalmente e exponha os fatos que o levam a esta decisão. Se for uma decisão pautada por motivos particulares, como por exemplo, a mudança do cônjuge para outro estado e a necessidade de acompanha-lo, não há muito o que alongar, no entanto, se a decisão foi pautada por problemas na relação franqueador e franqueado ou mesmo por falhas no sistema de franquias que você pertence, esta conversa será muito proveitosa, pois permitirá ao franqueador ter com clareza que está errando e precisa rever seus processos e isso, normalmente o fará ajudar no repasse.

Quanto a meios de divulgação, também é necessário combinar com seu franqueador. Uma primeira opção é ofertar a unidade para quem já é franqueado da rede. A próxima opção é a oferta para interessados na franquia que já tiveram algum contato com o franqueador. Você franqueado poderá ainda, ofertar a unidade em anúncio de jornal de grande circulação ou em internet, mas neste caso, reitero a importância de combinar com o franqueador para que a marca seja preservada e para que você franqueado não seja alvo de curiosos e especuladores.

Outro aspecto a se observar é o que prevê o contrato de locação em caso de repasse. Isso pode ser decisivo para um potencial comprador do negócio, bem como as condições do contrato de franquia, pois é comum que os contratos prevejam nova taxa de adesão de quem compra a unidade repassada e uma participação no negócio, no entanto, são pontos do contrato que você poderá tentar negociar com seu franqueador.

Por fim, porém não menos importante, lembre-se que uma unidade franqueada é uma empresa e o repasse pode acontecer em curto prazo, como em até um mês, como pode demorar até um ano ou mais para que surja um interessado que atenda ao perfil da franqueadora e demonstre interesse pelo negócio, por isso, um dos maiores erros que o franqueado neste período pode cometer é ser displicente com a gestão de sua unidade, pois isso provoca desinteresse de possíveis compradores e desvaloriza seu negócio. O franqueador, por sua vez, deve manter abertura de diálogo e apoio a este franqueado que outrora apostou em sua marca e modelo de negócio.

Arlan Roque é especialista em franchising e Gerente de Operações em rede de franquias do segmento de cama, mesa e banho, com construção de carreira em franqueadora líder do segmento de chocolates finos com mais de 1.300 unidades no Brasil. Além de diversos cursos na área, foi membro da primeira turma do MBA em Gestão de Franquias pela Fundação Instituto de Administração em parceria com a ABF. Colunista sobre assuntos ligados ao Franchising e instrutor da Academia do Franchising pela ABF/ESPA.