Rafaella Brasileiro e Alex Brasileiro criaram o projeto que tem como objetivo capacitar arquitetos e engenheiros para atuar no mercado de construção de maneira profissional


Quem nunca escutou que contratar um arquiteto é um serviço caro e de pouco retorno? Que obras dão muita dor de cabeça? Esses são os pensamentos que os arquitetos Rafaella Brasileiro e Alex Brasileiro vêm buscando mudar entre os clientes. Há pouco mais de seis anos no mercado, os profissionais perceberam assim que saíram da faculdade, que haviam muitas barreiras do mercado a serem descontruídas.

Quando montaram o escritório BORA, Rafaella e Alex sentiram imediatamente que a faculdade não dava conta de conceder um conhecimento fundamental para o exercício da profissão: o mundo dos negócios. Vender os próprios serviços era uma missão quase impossível, já que o mercado é competitivo e se prende em muitas amarras de atuação. “Chegávamos a pagar para trabalhar, pois não aprendemos como cobrar na faculdade, e no mercado muito se falava em metro quadrado, porém aquilo não fazia o menor sentido pra gente.”, conta Alex

Disseminação de conhecimento

Assim os arquitetos idealizaram o “Bora na Obra”, projeto que busca sanar as principais dúvidas que surgem no exercício da profissão e disseminar práticas de venda mais justas. Os cursos ministrados por Alex e Rafaella já contam com mais de 3.000 alunos — as vagas geralmente são limitadas, abrem poucas vezes ao ano e estão cada vez mais concorridas. Além disso, há conteúdos diários por meio do Instagram e canal do YouTube.

Os arquitetos são autores do livro “O guia Definitivo para Pequenas e Médias Obras”, comercializado exclusivamente no site e Instagram do @boranaobra e que já com milhares de cópias vendidas. A obra é considerada uma leitura obrigatória por profissionais da aérea, pois reúne conhecimentos fundamentais para uma atuação profissional de excelência, com uma linguagem simples, clara e acessível.

Mudança de paradigmas

Apesar disso, os arquitetos assumem que o caminho é longo. Isso porque algumas práticas que estão enraizadas no exercício profissional ainda impedem que arquitetos trabalhem de maneira segura e transparente. “Um exemplo muito claro disso é a chamada reserva técnica, onde o arquiteto recebe uma comissão de fornecedores pré-selecionados, o que encarece a obra e gera má fama entre os clientes”, aponta Rafaella.

Mesmo sendo considerada uma prática ilegal e antiética entre os conselhos profissionais — como CREA e CAU — Alex conta que o mercado acaba se tornando refém desse sistema de comissionamento. “É tipo de prática que faz com que arquitetos, engenheiros e designers de interiores deixem de buscar o melhor cenário para o cliente em vista de ganhos financeiros para quem pagar mais comissão. E no fim da história a obra sai muito mais cara para o cliente, que é quem banca tudo isso”, elucida Alex Brasileiro.