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Cheque pré-datado volta a ganhar força no comércio

O comércio brasileiro está redescobrindo as vantagens de oferecer aos consumidores o financiamento das compras via cheque pré-datado. No início deste ano, a modalidade de financiamento, que até há pouco tempo parecia relegada ao passado, superou em 3,7 vezes o pagamento de compras com cheques à vista. De acordo com a TeleCheque, empresa especializada em verificação de crédito pessoal, em janeiro, 78,28% dos pagamentos foram feitos com cheques pré-datados e 21,72% à vista. Muitos varejistas também não abrem mão de oferecer aos clientes o crediário próprio. Os números explicam esse aparente retrocesso: o parcelamento das compras via cheque ou carnê significa corte significativo de custos para os lojistas, informa o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-BH), Roberto Alfeu.

Segundo ele, o cheque pré-datado tinha sido esquecido pelo comércio porque os lojistas não faziam conta de gastos com taxa de administração dos cartões de crédito, taxa de antecipação de recebíveis e aluguel de máquinas, que, somadas, representam entre 7% e 8% das vendas efetuadas com o dinheiro de plástico. “O custo do cheque é somente a inadimplência, que é pequena. Por isso, o comércio está voltando a dar preferência a essa forma de pagamento”, explica. Se o calote for de 2%, por exemplo, o uso desse instrumento representa uma economia de 6% frente ao pagamento com cartão.

Por outro lado, na opinião do empresário, o consumidor também ganha ao fazer uso do cheque pré-datado. “Existe um efeito psicológico quando uma pessoa paga uma conta com cheque. O consumidor consegue administrar melhor as suas contas quando faz uso dessa forma de pagamento. Evita o crédito rotativo, que tem taxas superiores a 300% ao ano, e também compras por impulso. Quando emite um cheque, ele sabe que o dinheiro deverá estar na conta para cobri-lo”, justifica.

Walter Iamamura é sócio proprietário da Gregory, loja de roupas femininas que tem três unidades em shopping centers de Belo Horizonte. A empresa chegou à capital mineira em 2006 e, de início, recebia uma quantidade de cheques sem fundos muito grande. Foi quando ele resolveu usar as garantias oferecidas pela CDL para proteger o lojista. “Foi uma ótima decisão. O número de cheques que voltam diminuiu e economizamos com as taxas e os custos do cartão”, diz.

Segundo a TeleCheque, nos primeiros seis meses de 2010 a emissão de cheques pré-datados deverá alcançar 80,5% dos cheques emitidos, o que significaria um incremento de 0,21% na oferta de crédito nesse instrumento em comparação com igual período no ano anterior. O volume de cheques pré-datados no acumulado de 2009 deverá somar R$ 2,15 trilhões – 78,26% do total de cheques emitidos –, o que representa um crescimento de R$ 210 bilhões. O aumento em relação a 2008 é de 10,8%. A estimativa é do vice-presidente da TeleCheque, José Antônio Praxedes Neto.

O bom e velho carnê também tem seu espaço garantido no varejo. O diretor-geral da rede de eletrodomésticos Eletrozema, Romeu Zema, presente em 202 municípios mineiros, admite que tem preferência pelo crediário próprio. Na rede, que está em todas as regiões do estado, com exceção de da Região Metropolitana de Belo Horizonte e Zona da Mata, 50% das vendas são realizadas com essa forma de pagamento. “Nossos clientes preferem o crediário. Além disso, ficamos livres das taxas cobradas pelas empresas de cartão. Nossa inadimplência é baixa. O crediário compensa”, afirma.

Na opinião de Praxedes, o varejo brasileiro está ganhando consciência da sua importância para o crescimento do consumo consciente. Por isso, oferece crédito direto aos consumidores por meio de cheques pré-datados e crediário próprio. “Isso facilita o consumo da população que tem dificuldade de acesso às modalidades de crédito oferecidas com intermediação do mercado financeiro”, observa.

Fonte: Estado de Minas
por Zulmira Furbino


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