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Pesquisa revela os principais desafios das franquias

Estudo realizado pelo Grupo BITTENCOURT mapeou as ações dos empresários do setor de franquias visando descobrir o que eles fazem para reter talentos e o que precisam fazer para incorporar práticas modernas de gestão ao seu negócio.

O Grupo BITTENCOURT, composto de empresas especializadas em expansão e gestão de negócios em rede, realizou uma pesquisa com 117 donos de redes de franquias em todo território nacional para identificar os principais e maiores desafios que as empresas franqueadoras enfrentam no processo de educação e gestão de talento junto à rede franqueada.

A pesquisa analisa os quatro segmentos que mais cresceram em número de redes em 2009: alimentação e bebidas; calçados e acessórios pessoais; educação e treinamento; saúde, beleza e produtos naturais. “A pesquisa visa oferecer aos franqueadores brasileiros informações sobre as boas práticas no franchising, bem como permitir com que se posicionem frente ao mercado e ao seu público-alvo”, revela Claudia Bittencourt, diretora do Grupo BITTENCOURT.

Segundo a especialista, à medida que o sistema de franquias cresce, aumenta também a concorrência e a disputa pelos potenciais empreendedores/franqueados; estes por sua vez estão cada vez mais criteriosos no seu processo de seleção de negócios para investir. “Muitos destes empreendedores são especialistas em análise de negócios, finanças e estratégias que têm habilidade suficiente para analisar uma oferta de franquia, quando não buscam orientação de profissionais especializados, em especial de consultores com boa reputação que atuam no franchising, uma vez que conhecem todas as particularidades do sistema de franquias e os fatores críticos de sucesso para as redes”, afirma Claudia.

O segmento de franquias do Brasil encerrou o ano com um crescimento de 20,4%, em relação a 2009 de acordo com a Associação Brasileira de Franchising (ABF). O faturamento total das franquias alcançou no ano passado a marca de R$ 75.987 bilhões. O número de redes em operação no País cresceu 12,9% e o número de unidades (franqueadas e próprias) chegou a 86.365, incremento de 8% em relação ao ano anterior. Essa expansão resultou na abertura de mais de 57 mil novos postos de trabalho. O setor é responsável hoje por mais de 777 mil empregos diretos.

De acordo com a pesquisa, o treinamento e o suporte oferecidos estão entre os fatores de maior peso na decisão do potencial franqueado. “Tornar tangível esse apoio e orientação representa um grande desafio para os franqueadores. É neste sentido que o Grupo BITTENCOURT pretende, com esta pesquisa, dar a sua contribuição para os empresários do sistema”, explica a consultora.

Os franqueadores brasileiros estão atentos às questões diretamente ligadas à educação: 31,36% dos entrevistados dizem que a capacitação é um ponto crítico na gestão. Algumas redes que participaram do estudo afirmam recorrer a bônus de premiação para reter seus talentos. “Isso prova que práticas como essas já começam a ser adotadas”, comenta Claudia, mas completa que, por outro lado, planos de carreira (12,69%) e pacotes de benefícios (10,77) ainda estão em baixa.

Ainda nesse sentido o estudo traz um dado interessante: 24,23% dos franqueadores apontam a remuneração como principal método para retenção dos profissionais. Outra oportunidade de melhoria apresentada na pesquisa é a utilização de tecnologias na educação e capacitação dos franqueados, por exemplo, o ensino à distância que, segundo especialistas do Grupo BITTENCOURT, está relacionada ao grau de maturidade e ao tamanho das redes.

PRINCIPAIS RESULTADOS DA PESQUISA

O que os Franqueadores consideram mais crítico na gestão da rede de franquias:

Os franqueadores que participaram da pesquisa apontaram como fatores críticos na gestão da rede alguns fatores, entre eles: capacitação da rede, com 31,36% dos respondentes; em seguida o relacionamento com a rede e “ter o franqueado correto’, com 28,40% das preferências, seguido de recursos financeiros com 6,51% e por fim tecnologia com 5,33% das respostas.

“O resultado nos leva a pressupor que as redes com mais de 30 unidades já estão mais conscientes da necessidade de um bom relacionamento com os franqueados e devem cultivar este ponto na rede, fruto de aprendizado mútuo e do próprio amadurecimento da rede”, diz Claudia e completa afirmando que um ponto de análise que deve ser considerado é que, quando os programas de capacitação são insuficientes, a dificuldade de relacionamento é maior. Redes iniciantes com menos de 30 unidades podem ainda estarem enfrentando a necessidade de recursos financeiros e humanos suficientes para aplicar investimentos maiores em capacitação. O interessante é que mesmo nas redes de Educação e Treinamento capacitar os franqueados e suas equipes é considerado o maior desafio.

Programas de Capacitação

Na questão sobre quem aplica os programas de capacitação, mais de 70% dos pesquisados utilizam recursos internos, sendo que 52,26% utilizam os consultores de campo e 21,94% acionam o RH da própria franqueadora. Somente 7,10% recorrem a empresas terceirizadas.

Para aplicação destes programas, os franqueadores vão necessitar de equipes de consultores de campo multidisciplinares, cuja disponibilidade no mercado não é alta. Consultores de campo com competências em finanças, negociação, domínio dos atributos técnicos dos produtos e serviços e, além disso, com perfil e capacidade para manter um bom relacionamento com a rede precisam também ser formados.

Quem recebe essa capacitação inicial, a carga horária e frequência:

Os programas são aplicados por mais de 90% dos franqueadores, sendo que 45,06% são destinados a franqueados e funcionários; 38,27% para franqueados e gerentes; 7,41% somente para franqueado e 7,41% só para os funcionários da franquia. Pelo menos “mais de 40 horas” é o tempo investido pelas redes para treinar seus colaboradores, o que segundo Claudia é um tempo considerado ideal.

Em empresas com menos de 30 unidades, 37,84% dos pesquisados treinam seus funcionários semestralmente e, em alguns casos, 16,22% aplicam os programas anualmente. Isso é considerado negativo. “Somente quando a rede ganha mais fôlego e recursos começa a investir em treinamento continuado”, sinaliza Claudia. Já em redes com mais de 30 unidades, a maioria treina seus funcionários mensal (25,93%) ou trimestralmente (25,93%).

Gestão de franqueados

Dentre as ações que os franqueadores utilizam para motivar os franqueados, em primeiro lugar 22,96% fazem comunicação periódica; 19,90% adotam as convenções e eventos; 15,56% estimulam a participação nas decisões da rede; 9,69% promovem incentivos no marketing e nos royalties; 4,85% adotam plano de benefícios atrelados a cumprimento de metas; 4,83% concedem bonificações por desempenho e 2,55% usam outros meios de incentivos.

Segundo a análise da diretora do grupo, o que estimula de fato é a participação nas decisões das redes. “Esse quesito precisa ser mais trabalhado pelos franqueadores. Não dá para esperar que uma convenção de franqueadores uma vez por ano seja suficiente para garantir a troca de conhecimento entre os profissionais das redes.”

Quando perguntado sobre a necessidade em melhorar o serviço para as redes e qual deveria ser a dimensão dessa melhoria, 82,05% dos entrevistados acreditam que a dimensão das melhorias necessárias vai de média a alta. Ou seja, os empresários sabem que precisam melhorar, mas não como conciliar essa demanda com os recursos disponíveis. Quase 100% dos franqueadores acreditam que melhores programas de capacitação poderão lhes trazer bons resultados. Quando questionados sobre os desafios que enfrentam para melhorar os programas de capacitação, nas redes com menos de 30 unidades 28,57% responderam que são os recursos financeiros e 25% apontaram a distância como problema. Já nas redes com mais de 30 unidades, o quesito distância (33,56%) e equipe (26,71%) tornam-se o principal problema já que precisam atender um grande número de unidades.

Suporte ao franqueado

É fato que o apoio do franqueador é fundamental para o bom funcionamento das unidades. Nesse sentido, 91,30% afirmam oferecer acompanhamento de consultoria de campo aos seus franqueados, enquanto 8,70% confessaram não oferecer esse acompanhamento, o que representa apenas 10 das empresas consultadas, percentual alto, levando em consideração ser esse o principal canal de comunicação.

Nas visitas realizadas pelos consultores de campo, 23,22% realizam orientação operacional; 21,09% focam na aplicação de check-list; 19,91% visam à orientação estratégica; enquanto 19,67% destacam o incremento de atendimento e vendas e 16,11% a orientação sobre os resultados do negócio. Tanto em empresas com menos (45,24%) e mais de 30 unidades (40,30%), as visitas são bimestrais.

Retenção de talentos na rede

Manter bons profissionais trabalhando em suas marcas é, sem dúvida, um desafio que vem sendo estudado com afinco. Por isso alguns modelos de gestão ganham atenção: entre os pesquisados pelo menos 26,92% responderam que oferecem bônus e premiações aos seus funcionários; 24,23% consideram a boa remuneração um fator de retenção; 18,85% investem em capacitação; enquanto 10,77% optam por pacotes de benefícios e 3,85% realizam atividades sociais.

“Esse dado demonstra que os franqueadores destacam a remuneração como fator de retenção, mas, na hora de avaliar, dizem que o valor está na média de mercado. Logo o que seria um incentivo não passa de uma faixa de mercado e não garante a retenção’, questiona Claudia Bittencourt.

Claudia constatou também que remuneração variável (38,76%), vale-alimentação (31,58%) e assistência médica (17,70%) são importantes, mas não suficientes. Segundo a especialista, a adoção de medidas pontuais, como participação nos lucros e bônus, deveria ser considerada. “Remuneração e bônus são ações eficientes para manter talentos e o estudo mostra que as redes estão fazendo isso, mas no momento em que investirem em outras ações, como plano de carreira e pacotes de benefícios, os resultados podem surpreender”, conclui a executiva.

Fonte: Divulgação

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