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2020: o ano do horror sem fim

É comum ouvir os otimistas dizerem, que um momento de desventura é sempre uma chance para explorar novos caminhos. Esse pensamento parece um tanto exagerado quando nos defrontamos com o ambiente caótico criado pela pandemia do famoso vírus Covid-19. O tamanho do desastre parece fazer dessa colocação algo despropositado. É verdade que aqui e ali o vírus abriu oportunidades, mas de modo geral não foi isso que aconteceu.


Embora não se possa dizer que o dramático evento fosse inesperado, uma vez que os epidemiologistas há muito advertiam sobre essa possibilidade, a verdade é que o mundo foi surpreendido. Diga-se de passagem, muitos desastres são catástrofes anunciadas. Porém, os seres humanos aferrados a comodidade do presente, frequentemente se recusam a ver os sinais das futuras tragédias.

Diferente de outras crises econômicas, essa tem uma gênese distinta. Crises como a de 1929 ou de 2008 surgiram no âmbito exclusivo das relações econômicas. Essa crise, que amargamente somos forçados a viver, é, antes de tudo, sanitária com reflexos fortes e abrange sobre a economia. Talvez fosse mais adequado compará-la com um tsunami. Um fenômeno natural como esse é devastador, pois não só destrói estruturas, mas também desorganiza as sociedades.

A pandemia, como já esperado, tem sido muito ruim para o varejo. Contudo, os reflexos sobre as vendas foram amplificados pela própria desorganização da política interna. O Brasil perdeu por 7 a 1 da Alemanha na Copa de 2018. Essa derrota fragorosa não foi causada somente pelo "agente externo": competência da seleção alemã. Parte dessa derrota deve ser explicada pela própria desorganização da seleção brasileira. É bom registrar que desde meados de 2019 as vendas, embora crescendo, vinham desacelerando. E isso não está evidentemente relacionado ao vírus. A exemplo dos defensores do time verde e amarelo, os políticos podiam ser observados se movimentando batendo cabeça. É óbvio que quando o time adversário atacou tudo foi facilitado: 7 a 1.

Com tudo isso as estimativas são de um recuo das vendas de 5,89% em 2020 em relação a 2019. Redução do pessoal ocupado, queda da massa real de pagamentos e incerteza em relação ao futuro imediato explicam esse resultado. Há, entretanto, uma observação positiva. Até o final do terceiro trimestre projetava-se uma redução das vendas de 9%, agora 6%. Ou seja, em vez de cairmos do nono andar agora são apenas seis andares.

Artigo escrito por Claudio Felisoni de Angelo, economista e presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (IBEVAR)

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